CAPÍTULO 20 DO DAO DE JING NA REVISTA CHINESA BRAZILHR

TRADUÇÃO DE CHIU YI CHIH

 

A REVISTA CHINESA BRAZILHR publicou o capítulo 20 da minha tradução do livro clássico “Dao De Jing” de Laozi (Editora Mantra-2017) em versão bilíngue (mandarim-português). 

 

Confiram no link: https://brazilhr.com/?p=550442

UM POEMA DE TAO YUAN MING (SÉC IV. D.C.)

TRADUÇÃO DE CHIU YI CHIH

靡靡秋已夕, 凄凄风露交.
蔓草不复荣, 园木空自凋.
清气澄余滓, 杳然天界高.
哀蝉无留响, 丛雁鸣云霄.
万化相寻绎, 人生岂不劳? 
从古皆有没, 念之中心焦.
何以称我情? 浊酒且自陶.
千载非所知, 聊以永今朝.

 

O tempo se desvanece rapidamente. Já é o fim de outono. O vento forte e o gélido orvalho se entrelaçam. As ervas perdem o seu viço. As árvores do jardim emurchecem e fenecem. O ar límpido se ergue no vastíssimo céu. É uma pena que as cigarras não cantam mais. Apenas se ouve o canto de uma multidão de gansos entre os píncaros das nuvens. Incomensuráveis mutações. Seria absurda a existência humana? Desde os primórdios, sempre houve a morte e, só de pensar nela, minha mente se inquieta. Como posso estar contente comigo mesmo? Ao beber o vinho, sinto-me livre. Não penso mais no futuro. Por um breve instante, amo apenas o presente.

DOIS POEMAS DE TAO YUAN MING (SÉC IV. D.C.)

TRADUÇÃO DE CHIU YI CHIH

荒草何茫茫, 白杨亦萧萧.

严霜九月中, 送我出远郊.

四面无人居, 高坟正嶕峣.

马为仰天鸣, 风为自萧条.

幽室一已闭, 千年不复朝.

千年不复朝, 贤达无奈何.

向来相送人, 各自还其家.

亲戚或余悲, 他人亦已歌.

死去何所道, 托体同山阿.

 

As ervas selvagens se estendem ao infinito, enquanto o salgueiro branco, sussurrando, desprende as suas folhas. O outono se adensa com a geada e me leva a sair de casa. Por todos os lados, só se vê a terra desolada onde não há nenhuma presença humana. Os túmulos se elevam como terra empilhada. Cavalos se afligem sob o canto dos pássaros. O vento é arrebatado pela minha tristeza. As próprias sepulturas se enclausuram em segredo e, durante gerações e gerações, jamais se revelam, permanecendo irremediavelmente distantes e solenes. Sempre há enterros e, após cada funeral, cada um retorna ao seu lar. Os parentes dos mortos padecem de uma dor terrível. Outros cantam com rostos sorridentes. É inexprimível o sentido da morte. Os túmulos com os seus cadáveres se assemelham às altas montanhas.

自古叹行役, 我今始知之.

山川一何旷, 巽坎难与期.

崩浪聒天响, 长风无息时.

久游恋所生, 如何淹在兹?

静念园林好, 人间良可辞

当年讵有几? 纵心复何疑!

Desde há muito tempo, os homens se queixam de seus sofrimentos. Hoje eu também sinto a mesma dor. Imensuráveis são os rios e as montanhas. Imprevisíveis são os ventos e as águas. Ondas tenebrosas estremecem e reverberam com estrondos no céu. Intermináveis são as rajadas de vento. Vagando por terras estranhas, fico com saudades da minha terra natal. Como permaneceria aqui por tão longo período? Medito silenciosamente nos bosques do meu jardim e desejo abandonar minha carreira mundana. Quanto dura a existência humana? Sem nenhuma hesitação, seguirei a voz do meu coração!

DAO DE JING - LIVRO DO CAMINHO E DA VIRTUDE (MINHA TRADUÇÃO PUBLICADA PELA EDITORA MANTRA) 

9

 

Em vez de persistir e ficar cheio de si, é melhor parar.

Não se consegue preservar uma lâmina sempre afiada.

 

Não se pode conservar uma sala cheia de ouro e jade.

Riqueza, opulência e arrogância causam infelicidade.

 

Retirar-se quando realizada a obra: assim é o Dao do Céu.

 

持而盈之不如其已。

chí ér yíng zhī bù rú qí yǐ.
揣而锐之不可长保。

zhuī ér ruì zhī bù kě cháng bǎo.
金玉满堂莫之能守。

jīn yù mǎn táng mò zhī néng shǒu.
富贵而骄, 自遗其咎。

fù guì ér jiāo, zì yí qí jiù.

功遂身退, 天之道。

gōng suì shēn tuì, tiān zhī dào.

 

 

Esse capítulo nos remete à uma reflexão sobre o valor da moderação tanto em relação à aquisição da riqueza como em relação aos pensamentos, sentimentos e desejos que podem perturbar nossa mente. Nessa perspectiva, como sublinha o comentador antigo Wang Bi, quem persiste e fica cheio de si (持而盈之-chíéryíngzhī) age de modo arrogante e até mesmo se apega excessivamente ao seu próprio mérito em todas as ações. Assim, é fundamental para Laozi que saibamos nos preservar a nós mesmos no sentido de estarmos atentos às mudanças de toda situação. Pois, como toda situação é contingente e muda a cada instante, certamente é mais plausível que tenhamos uma atitude flexível, um certo desprendimento em relação às inúmeras mudanças que enfrentamos na vida. Na medida em que nos deparamos com uma dada circunstância, podemos escolher agirmos de maneira obstinada ou de maneira compreensiva. É evidente que há varios graus e nuances entre a obstinação e a flexibilização. Mas, se geralmente observarmos e analisarmos nosso contexto, veremos que é mais essencial uma certa reserva para não sermos iludidos pelo nosso próprio orgulho. Quem se envaidece corre o risco de cometer erros. Ora, se ostentarmos de maneira excessiva as nossas habilidades, o nosso talento, a nossa inteligência, ou seja, tudo aquilo que nos torna “excelentes”, frequentemente isso poderá nos prejudicar na realização das nossas próprias ações, quando, por exemplo, acabamos por atrair a inveja das outras pessoas. Desse modo, Wang Bi penetrou com perspicácia na profundidade da advertência de Laozi. Nesse sentido, de modo análogo, o comentador Su Zhe ressalta que como todas as situações estão a todo instante mudando, seria inútil tentarmos afiar a lâmina (揣而锐之–zhuīérruìzhī), ou seja, as nossas habilidades, talentos e méritos de maneira excessiva, uma vez que esse esforço poderia ser maléfico a ponto de quebrar a própria lâmina, ao invés de preservá-la. Ao invés de proveito, causamos apenas prejuízo a nós mesmos, já que essa atitude acaba se tornando uma espécie de teimosia, um apego desmedido. É por isso que, na sua visão, o sábio age sem apego e sem possessividade, evitando a imoderação (como já nos dissera Laozi no capítulo 2).

 

A partir dessas observações importantes, somos levados a refletir sobre a importância da moderação na nossas atividades cotidianas, visto que, quando realizamos um trabalho, um projeto, um sonho (ou qualquer outra atividade), muitas vezes ficamos fascinados com a nossa conquista e arrogantes na nossa própria “cegueira”. Exibimos nosso brilho. Ficamos vaidosos e euforicamente eloquentes ao falarmos de nosso próprio sucesso. Os exemplos da lâmina afiada e da sala cheia de ouro e jade (金玉满堂-jīnyùmǎntáng) só mostram como em certas situações nos excedemos no sentido de que nos orgulhamos demais de nossas próprias realizações, isto é, nos apegamos ao brilho do desenvolvimento de nossas próprias habilidades, capacidades e méritos. Portanto, podemos nos indagar: seremos capazes de nos libertar desse apego?

           

Ora, nesse contexto, Laozi nos recomenda a ação de parar (不如其已-bùrúqíyǐ) com esse apego, já que seus resultados como arrogância, riqueza e opulência (富贵而骄-fùguìérjiāo) só nos trazem infelicidade (咎-jìu). Seu conselho é explicitamente claro quando ele diz que é preciso retirar-se quando realizada a obra (功遂身退-gōngsuìshēntuì), sendo que isso seria uma atitude razoavelmente condizente com o Dao do Céu (天之道-tiānzhīdào), a saber, com a essência da Naturalidade do Caminho. Aqui a palavra “Céu” significa a Naturalidade (自然-zìrán) como princípio segundo o qual todas as coisas seguem a sua própria natureza (性-xìng). Portanto, quem segue o princípio da Naturalidade respeita a natureza de cada ser, ou seja, não deseja interferir na sua essência, buscando modificá-la de modo artificial como se quisesse forçá-la a ser o que ela não é, sendo que tal ação forçosa seria considerada excessiva. Isso porque a natureza de cada coisa se autoproduz e se autodesenvolve por si mesma sem nenhuma interferência externa e artificial. É evidente que somente quem segue a Naturalidade saberá agir sem interferir, isto é, saberá agir com desapego sem querer se intrometer no desenvolvimento intrínseco de cada coisa. Tal desapego é considerado como manifestação concreta do princípio transcendente do Dao metafísico.     

 

Para Laozi, o Dao é tanto o Vazio (无-wú) no seu aspecto de transcendência como a Existência (有- yǒu) na sua forma imanente. Nesse sentido, como podemos pensar essa relação ambivalente de Vazio e Existência na conduta do sábio? Ora, se o Vazio concede a existência a todos os seres do universo, ele é anterior àquilo que Laozi chama de Existência, anterior ao mundo fenomênico. Ele é a essência (体-tí). Todavia, embora seja essa essência, ele também adquire eficácia (用-yòng) no mundo. Portanto, quando Laozi diz que, após realizada a obra, o sábio se retira, isso significa que do ponto de vista da essência o que ocorre primeiro é “o retirar-se” entendido como a ação da eficácia do Vazio enquanto a ação de se esvaziar, ou seja, trata-se da “ação do desapego”. Satisfeita tal condição, ocorrerá em seguida a realização (功遂-gongsui). Em outras palavras, é preciso que haja primeiro o desapego da Não-Ação, a saber, esse estado de Não-Mente, esse estado do Vazio concebido do ponto de vista da essência do Dao. É só em seguida que ocorrerá a produção eficaz que beneficia todos os seres do mundo, ou seja, a atuação concreta do ponto de vista da existência. Como já dissera Laozi no capítulo 6, o Dao possui uma inesgotável eficácia (用之不勤-yòngzhībùqín), ou seja, é somente no estado de Vazio que o homem penetra na dimensão da eficácia inexaurível do Dao e alcança a sua suprema realização. Nesse caso, a eficácia do Dao que Laozi concebe como Virtude (德-dé) consiste em desapegar-se através da ação de retirar-se, que não significa isolar-se ou se esconder num outro mundo (uma espécie de alheamento), mas simplesmente em se manter numa atitude de moderação e simplicidade. Portanto, somente quando se desapega e conhece os seus próprios limites, o homem realiza a sua obra e se autorrealiza. É por isso que a reflexão metafísica de Laozi com a sua sabedoria intrínseca nos exorta para que abandonemos nosso autoapego, a nossa excessiva autovalorização por meio do cultivo do esvaziamento da mente: só nessa condição haverá a plenitude de realização na nossa existência. Uma das interpretações equivocadas seria considerar tal atitude de desapego como se fosse uma espécie de fuga da realidade e do mundo, mas o que Laozi nos propõe, segundo outro comentador Chen Gu Ying, é simplesmente estarmos mais atentos à moderação, ao equilíbrio e à harmonia para que não sejamos prejudicados pelas ações cometidas em função da desmedida. Às vezes mesmo quando a pessoa se afasta fisicamente do mundo e das relações sociais, isso não significa que ela está completamente desapegada dos seus desejos mundanos. Portanto, não se trata de um cultivo nas aparências, mas de uma meditação interna consigo mesmo: ser virtuoso não exibindo aos outros, porém sendo autêntico com o seu próprio auto-cultivo e assumindo a sua própria obra. É por esse motivo que o sábio He Shang Gong nos adverte no seu comentário a esse capítulo para que não acumulemos “ouro e jade”, ou seja, para não nos apegarmos demais aos nossos próprios vícios e desejos (嗜欲-shìyù). Tal conduta da moderação não pode ser vista de maneira prescritiva/normativa como se houvesse uma regra universalmente válida para todas as circunstâncias, algo estabelecido de antemão sem que haja a ponderação e a reflexão. Afinal, nos dias atuais, seria ainda possível sermos moderados conosco? Justamente no mundo onde imperam o excesso, a saturação, a compulsão e ainda se ostentam tantas superfluidades? É necessário que cada um reflita sobre o seu próprio caminho, encontrando a sua própria solução na medida mesma em que vai trilhando a sua trajetória, levando em consideração as suas próprias necessidades, desejos, condições materiais, históricas, culturais e educacionais.

DAO DE JING - LIVRO DO CAMINHO E DA VIRTUDE (MINHA TRADUÇÃO PUBLICADA PELA EDITORA MANTRA) 

8

 

Suprema Bondade é como a água.

 

Sem disputa, a água beneficia todos os seres,

habita os sítios que a multidão detesta

e, por isso, é semelhante ao Dao:

vive com bondade na terra,

ama com bondade como um rio profundo,

doa com bondade no amor,

fala com bondade na confiança,

governa com bondade na ordem,

age com bondade na eficácia

e realiza com bondade no momento propício.

 

Assim, sem disputa, não há ressentimento.

 

上善若水。

shàng shàn ruò shuǐ.

水善利万物而不争,

shuǐ shàn lì wàn wù ér bù zhēng,

处众人之所恶,

chǔ zhòng rén zhī suǒ wù,

故几于道:

gù jī yú dào:

居善地,

jū shàn dì,                

心善渊,

xīn shàn yuān,

与善仁,

 yǔ shàn rén,

言善信,

yán shàn xìn,

政善治,

zhèng shàn zhì,

事善能,

shì shàn néng,

动善时。

dòng shàn shí.

夫唯不争, 故无尤。

fū wéi bù zhēng, gù wú yóu.

 

Nesse cap.8 somos remetidos à imagem concreta da água cuja natureza - por ser semelhante à natureza do Dao - pode ser vista como modelo para a conduta ético-política do governante sábio (圣人-shèngrén). A natureza da água consiste em que ela não age para si mesma e por isso beneficia todos os seres. Como diz o professor e comentador atual Wang Bang Xiong, ela não tem a identidade do "Eu" em virtude do fato de que permanece no estado de Não-Mente (无心-wuxin), já que não considera o seu benefício no mundo como algo "seu" nem reivindica a sua obra como sendo sua. Permanecer no estado de Não-Mente significa estar de acordo com o estado do Vazio, onde se aquietam os desejos e sentimentos como observa o comentador antigo He Shang Gong nas suas reflexões sobre o Dao De Jing. Quando o sábio cultiva esse estado, aproxima-se da natureza da água e justamente realiza a Suprema Bondade, cujo sentido não se encontra senão na própria eficácia da Naturalidade da Não-Ação. Ora, essa Naturalidade da Não-Ação é uma das qualidades essenciais da água e do princípio do Dao. É baseando-se nessa Naturalidade da Não-Ação (自然无为-zìránwúwéi), isto é, numa ação que não visa interferir na natureza (性-xìng) de cada ser que o sábio age de acordo com a Suprema Bondade. Sem buscar modificá-la à força como por uma espécie de coação, o sábio respeita e aceita a singularidade de cada ser. A noção de Naturalidade da Não-Ação envolve a compreensão de que a natureza de cada ser se autodesenvolve e se autoproduz por si mesma sem que haja uma interferência externa. Desse modo, seguir essa Naturalidade significa simplesmente agir respeitando a natureza autopoiética de cada ser sem querer obrigá-la a ser o que ela não é. Caso contrário, teríamos a artificialidade de ações (有为- yǒuwéi) baseadas em desejos, motivações, caprichos e pensamentos egoístas.

 

Nesse sentido, a Suprema Bondade da água é o modo pelo qual ela atua concretamente no mundo, desempenhando a eficácia da Naturalidade da Não-Ação. Ela age com bondade não porque visa um resultado premeditado pela vontade ou porque busca com sua dádiva uma recompensa em troca. Sua ação não é finalística, utilitarista ou deliberadamente pensada e por isso mesmo se dá naturalmente como eficácia do estado da Não-Mente. É nesse sentido que o sábio taoista (e também o governante no seu governo) deverá se guiar pela conduta da água. Como disse no capítulo 2, após ter realizada a obra, o sábio não se apega. É o mesmo sentido que há na água que beneficia todos os seres sem se apegar a esse ato de benefício. Ela age sem disputa no sentido de que ela não possui um Eu que busca atribuir algum sentido de mérito às suas ações bondosas. Ela não exige nada dos outros nem se vangloria de sua própria conduta bondosa. De modo análogo, sem agir por expectativas e motivações, o sábio que cultiva sua conduta baseada nessa eficácia da Naturalidade da água poderá agir de maneira imparcial e condizente com a ordem da totalidade do Dao, uma vez que o próprio Dao gera todas as dez-mil coisas e nada reivindica em troca.

        

Ora, a água também é como a Suprema Bondade, porque chega até os lugares mais imundos e inferiores e, no entanto, não adota uma atitude de recusa. Isso se deve ao fato de não ter o "Eu", isto é, graças à eficácia do Vazio, ela é capaz de agir sem pensar nela mesma. Por não ter um "Eu", não cria distinções de certo/errado, bem/mal, belo/feio, ganho/perda e por esse motivo não favorece uns em detrimento de outros. A maioria das pessoas evita ficar em lugares "inferiores" porque segue as suas distinções de gosto e desgosto. Mas a água se assemelhando ao Dao é capaz de nutrir todos os seres incondicionalmente e, ao mesmo tempo, conceder-lhes um espaço de liberdade. Do ponto de vista filosófico, isso significa que ela é tanto imanente no sentido de ser como uma Existência que nutre (como alimento concreto e vital) todos os seres vivos e, ao mesmo tempo, é transcendente no sentido de atuar no estado do Vazio por causa de seu desapego. Compreende-se aí a razão pela qual Laozi diz que ela se assemelha ao Dao: ela é capaz de tanto desempenhar a eficácia da Existência como a do Vazio. E, como Laozi já ensinou no cap 2, “a Existência e o Vazio se geram um pelo outro”.

        

Portanto, na nossa existência, se o ser humano puder cultivar a Naturalidade da Não-Ação, certamente ele estará próximo da natureza da água, ou seja, como conclui esse capítulo, ele não disputará com os outros. Assim, na ausência de rivalidade, como alguém terá ressentimento (rancor/ódio) contra ele? Como observa o taoista-budista Su Zhe, a água se adapta às diversas situações e é excelente para mudar a sua forma de acordo com o meio em que ela se encontra. Sua virtude justamente reside nessa eficácia da suavidade, a saber, no fato de que ela age sem agir, age sem contrariar o curso natural. Permanece no Vazio sem buscar recompensa e, sobretudo, beneficia todos os seres sem desejar para si vantagens pessoais. Com efeito, assim como a água, se agirmos de acordo com a suavidade e com a eficácia da Naturalidade, agiremos com menos sentimentos caprichosos e egocêntricos. Assim, sem nenhum desejo de querer dominar os outros, quem ainda desejará nos prejudicar? Portanto, se em nossos atos, palavras e atitudes, pudermos cultivar o desapego e seguirmos a Naturalidade do estado de Não-Mente, viveremos a plenitude da própria vida sem que haja o esforço deliberado de interferir na ordem natural de cada ser e, sobretudo, seremos capazes de nos harmonizar com a Naturalidade da própria essência da Vida.

16

 

Alcançando o Supremo Vazio,

resguardo-me em vigoroso silêncio.

 

Contemplo a manifestação

e o retorno de todos os seres.

 

No florescer em profusão,

cada ser retorna à sua raiz.

 

Retornar à raiz é o silêncio.

Diz-se que é o Retorno ao Destino.

 

Retorno ao Destino é Constância.

Conhecer a Constância é Iluminação.

 

Não conhecer a Constância é agir mal.

Conhecer a Constância é Amplitude.

 

Amplitude é Justiça.

Justiça é Totalidade.

Totalidade é Céu.

Céu é Dao.

 

O Dao é a Perenidade.

Ao se desvanecer o corpo,

nada estará em risco.

 

16

 

致虚极,

zhì xū jí,

守静笃。

shǒu jìng dǔ.

万物并作,

wàn wù bìng zuò,

吾以观复。

wú yǐ guān fù.

夫物芸芸,

fú wù yún yún,

各复归其根。

gè fù guī qí gēn.

归根曰静,

guī gēn yuē jìng,

是谓复命。

shì wèi fù mìng.

复命曰常。

fù mìng yuē cháng.

知常曰明。

zhī cháng yuē míng.

不知常, 妄作凶。

bù zhī cháng, wàng zuò xiōng.

知常容。

zhī cháng róng.

容乃公。

róng nǎi gōng.

公乃全。

gōng nǎi quán.

全乃天。

quán nǎi tiān.

天乃道。

tiān nǎi dào.

道乃久,

dào nǎi jiǔ,

没身不殆。

mò shēn bù dài.

 

O nosso mestre Laozi diz nesse capítulo 16 que é preciso cultivarmos o estado do Supremo Vazio(虚极-xují)e o Silêncio (静-jìng) de maneira vigorosa. Nesse estado de ser, contemplaremos a nós mesmos e o mundo como se fôssemos um espelho límpido, manifestando a eficácia do brilho na sua plenitude luminosa a ponto de refletirmos em nós todos os seres do universo. Assim, de acordo com Laozi, se cada ser puder retornar à condição originária (各复归其根-gèfùguīqígēn) do Grande Dao, voltando a se enraizar na sua Fonte Primordial, ele será capaz de transcender o plano da Multiplicidade (no florescer em profusão, cada ser retorna à sua raiz). Por isso, ao se refugiar no seio da Unidade Transcendente da Vida/Destino (命-mìng), cada um de nós poderá comungar com a simplicidade da inocência (天真-tiānzhēn) como observa o filósofo chinês e comentador Wang Bang Xiong.

           

Ao longo dos meus anos de prática do tai-chi e meditação com leitura/ensino do Dao De Jing, esse capítulo 16 traz um ensinamento importantíssimo que é valioso para os dias atuais. O que Laozi nos ensina é que deveríamos retornar à Fonte da Vida, pois somente nesse movimento de retorno à nossa natureza originária, revela-se o caminho da Constância (常-cháng), ou seja, a essência do Dao Constante (常道-chángdào). Como já mencionou no capítulo 1, Laozi chama o Dao, a saber, o Princípio Originário do universo, de Dao Constante. Podemos nos perguntar: qual é o sentido da Constância? Para Laozi, trata-se da força transcendente do Dao que é capaz de seguir as mudanças da natureza sem que ele mesmo jamais seja modificado. É por isso que ele diz no capítulo 25 que o Dao é “solitário/independente” e “permanente/constante” (独立不改-dúlìér bùgǎi). Ora, a essência metafísica do Dao é constante, porque é transcendente às limitações e condições espaço-temporais: informe/sem-forma (无形-wúxíng) e insonoro/silencioso (无声-wúshēng) como já nos ensinou o mestre e comentador antigo Wang Bi. Quando as coisas têm forma (形-xíng), elas estão limitadas pelas condições espaço-temporais. Elas nascem, crescem, se desenvolvem, se deterioram e morrem. Por isso, somente o Dao é constante, porque somente ele não sofre de tais mutações, visto que é sem-forma, ou seja, está além de todas as determinações e limitações formais. Além disso, é perfeito, completo em si e sem diferenciação, e por isso, transcende a esfera de nossos sentidos físicos. Estamos sempre no plano da dualidade distinguindo o calor/o frio, o bem/o mal, o belo/o feio, o ganho/a perda e dificilmente ultrapassamos esse domínio de oposições. É por essa razão que Laozi sugere que quando praticamos o cultivo do Supremo Vazio podemos alcançar um lampejo dessa experiência que vai além do dualismo. Isso implica numa conexão com a Unidade Transcendente do Dao (como Laozi esclarecerá no capitulo 38) e, por isso, não podemos deixar de meditar sobre a essência do Dao Constante que é a Fonte Primeva da Vida. Ele gera as dez-mil coisas e cria as transformações, porém ele em si mesmo jamais se transforma!

 

Eis aí o paradoxo: o Dao acompanha os fluxos das mutações, a alternância das quatro estações, o ritmo ciclíco da vida, ou seja, manifesta a sua onipresença e imanência em todos os fenômenos, mas ele mesmo permanece idêntico e uno na sua condição transcendente. Ora, mesmo sendo de essência transcendente (体-tí), ele possui a eficácia imanente (用-yòng) de manifestar incessantemente a sua concretude no âmbito da criação e conservação da vida. O Dao é Vazio e Existência simultaneamente. É transcendente (Vazio), e ao mesmo tempo, imanente (Existência). Somos nós que estamos mergulhados na cegueira e geralmente não conseguimos reconhecê-lo. Nessa perspectiva, basta que reconheçamos esse Princípio de todas as coisas para que comecemos a perceber que podemos retornar ao Dao. O segredo reside num simples ato de reconhecimento: se o reconhecemos como nossa morada originária, reconheceremos igualmente a nossa natureza originária (本性-běnxìng) e manifestaremos a verdade do nosso Eu Autêntico (自我的真实-zìwǒdezhēnshí). É que num nível da essência somos todos iguais entre nós e a essência do Dao já nos acompanha desde os primórdios. Como revela Laozi no capítulo 14, se alcançarmos o nosso Dao Imemorial, saberemos como conduzir a existência atual (执古之道,以御今之有-zhígǔzhīdào, yǐyùjīnzhīyǒu). Isso é tão simples e precioso, e no entanto, muitas vezes esquecemos de nos perguntar se há um princípio e de como podemos alcançá-lo. É como se vagássemos a esmo sem uma morada, uma casa para se abrigar. Nossa mente se agita e se deixa ser governada por inúmeras forças externas que nos desviam do que é essencial.  É nesse sentido que somos tão volúveis, tão inconsistentes, e por isso o mestre Laozi nos chama a atenção para lembrarmos de nossa casa e ainda nos dá o endereço, o mapa, ensinando que há uma casa para a qual devemos retornar: basta apenas que realizemos individualmente nosso caminho, retornando à essa raiz e manifestando a essência oculta que já reside intimamente dentro de nossas mentes.

           

Ora, se esquecermos essa morada originária, é evidente que estaremos mergulhados na escuridão. É evidente que na escuridão jamais encontraremos nenhuma luz. Na escuridão só há escuridão. Para vislumbrarmos a luz, precisamos interromper a nossa escuridão mental e refletir sobre a causa de nossas perturbações, agitações e preocupações. Se observarmos os nossos pensamentos a fundo, perceberemos que nenhum deles tem existência constante. Ora emerge um pensamento, ora surge outro. Todos pensamentos são transitórios e inconstantes. Nenhum deles permanece. É nesse momento que nos ocorrerá a percepção do Vazio de todas as coisas, do Vazio do pensamento, do sentimento e todas as outras instâncias fenomênicas. Nenhum fenômeno permanece imutável: tudo que aparece na nossa mente desaparece no interior dela mesma. Se fizermos constantemente essa meditação, alcançaremos esse Estado Supremo do Vazio, mas paradoxalmente esse Vazio não é um Nada, uma coisa negativa, porém um estado de ser de plena eficácia. Pois é nesse Estado Supremo do Vazio, que a Vida nasce e renasce, todas as coisas mudam e se transformam sem que o Vazio deixe de ser Vazio. É graças ao Vazio que a Existência de todas as coisas se sustenta. O Dao é Vazio, mas sua eficácia nunca se esvai como nos lembra o mestre Laozi (cap.4). Somente pelo fato de ser Vazio, o Dao pode manifestar a sua força inesgotável. É claro que se não praticarmos de maneira disciplinada o cultivo do Vazio e do Silêncio, agiremos com artificialidade, causando a perturbação mental a si e aos outros. Mas por que agimos com artificialidade? A artificialidade surge devido ao fato de querermos agir de maneira forçosa, isto é, impregnados de muitos pensamentos e desejos, agimos pela nossa mente com a intenção (有心-yǒuxīn) de interferir (干扰-gānrǎo) no curso dos acontecimentos. Assim, ao invés de observarmos atentamente os acontecimentos no seu processo natural e agirmos de acordo com as situações, acabamos por agir de maneira forçosa (有为-yǒuwéi). Em outras palavras, nossa ação (为-wéi) é permeada pela interferência de nossa mente (心-xīn) que justamente bloqueia o fluxo natural com a sua artificialidade. É por isso que Laozi concebe uma eficácia da Não-Ação: podemos agir sem nos fixarmos em nossos próprios pensamentos, desejos, caprichos, sentimentos e intenções. Tal atitude não significa passividade, indiferença ou inação (“não fazer nada”), como se os acontecimentos fossem produtos do mero acaso. Trata-se simplesmente de agir pela Naturalidade (自然-zìrán) da Não-Ação (无为-wúwei), ou como diz Wang Bang Xiong, no estado de Não-Mente (无心-wúxīn) sem o apego (执着-zhìzhúo) e em conformidade com as circunstâncias de um contexto mais amplo, com o que se chama de Caminho (道-dáo), a saber, a ordem da totalidade.

Com efeito, adquirindo uma firmeza na caminhada, libertamo-nos do apego mental e da artificialidade que apenas provoca o mal. O cultivo do Caminho não é adquirimos mais conhecimento e bens externos, como se tivéssemos uma meta (teleologicamente estabelecida) a ser perseguida. Se queremos fazer algo, essa ação continua sendo a ação de uma mente que deseja fazer, intervindo e modificando de acordo com seus caprichos e fins arbitrários. Essa ação continua sendo uma espécie de “escuridão tentando remover a própria escuridão” presa à sua própria esfera e apegada a si. Daí a necessidade do ato de meditar que não quer dizer ficar parado, imóvel, em silêncio, numa espécie de morte estática. A meditação possibilita uma reviravolta radical. Laozi fala do ato de contemplar (观-guan) que é como se fosse um ato de ver, mas não no sentido físico. Trata-se de uma visão direta (直观-zhíguan) , ou seja, de uma experiência de visão cuja verdade só adquire seu valor para aqueles que praticam a contemplação. A própria palavra “experiência” já nos remete ao domínio do tangível/empírico, e portanto, é extremamente reducionista. Não se trata de uma vivência ou de uma experiência no sentido empírico como se houvesse algo de natureza empírica que se contrapusesse a algo mais intelectivo, abstrato e não-empírico. A própria palavra “contemplação” também é redutora, porque nos remete à ideia de um ato de distanciamento, de não-ação, de passividade ou algo parecido, como se estivéssemos olhando as coisas de maneira distante e essa contemplação fosse algo oposto à “ação”. Por isso, trata-se mais do estado de ser onde somos banhados internamente pela luz da iluminação que não é senão a própria compreensão de que estamos conectados à essência transcendente/imanente do Dao. Nessa amplitude luminosa, sabemos que nossa essência é tão vasta, profunda e ilimitada que abraçamos todos os seres (assim como o Dao abraça o todo). Tal amplitude (容-róng) nos permite aceitar todas as dez-mil coisas (容受万物-róngshòuwànwù) e é justamente essa aceitação que nos aproxima da vida perene (久-jiǔ) do Dao sem que tenhamos mais o medo da morte e de outras vicissitudes pelas quais teremos de atravessar durante a nossa vida. Entretanto, se perseguirmos exclusivamente os bens externos como poder, fama e outras coisas inessenciais, nos afastaremos cada vez da nossa morada autêntica. Quando chegar a morte, é evidente que nosso corpo morrerá. Se estivermos apegados a tais bens externos, perderemos a nossa morada, a nossa natureza originária que é da mesma essência do Dao e sentiremos a morte como um acontecimento terrível.

VAZIO PERFEITO - LIEZI (MINHA TRADUÇÃO) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Leiam minha breve apresentação da minha tradução do clássico taoista
Vazio Perfeito do pensador e mestre Liezi publicado pela Editora Mantra e disponível nas Livrarias Martins Fontes e Cultura. 
Livraria Martins Fontes - https://www.martinsfontespaulista.com.br/vazio-perfeito--edicao-bilingue-640804.aspx/p
Livraria Cultura - https://www3.livrariacultura.com.br/vazio-perfeito-edicao-bilingue-2112254225/p
Amazon - https://www.amazon.com.br/Vazio-Perfeito-Edi%C3%A7%C3%A3o-Bil%C3%ADngue-Liezi/dp/8568871232/ref=lp_7882384011_1_5?s=books&ie=UTF8&qid=1584644302&sr=1-5

É provável que o pensador e mestre taoista Liezi (Lie-Tsé ou Lie-Tsu) tenha vivido no chamado período Primavera e Outono Chinês da dinastia ocidental de Zhou (770-476). Não temos certeza em que data viveu, porque há dúvidas dentre os registros históricos. Contudo, segundo os estudiosos, sua obra prima Vazio Perfeito é tão fundamental que Liezi passou a ser considerado um dos três principais pensadores que desenvolveram os princípios básicos da filosofia taoista. Ele seria o terceiro mestre taoista junto com Laozi (Lao-Tsé ou Lao-Tsu) e Zhuangzi (Zhuang Zhou ou Chuang-Tsu).

        

Neste seu livro Vazio Perfeito, podemos ler inúmeras estórias filosóficas e poéticas que tratam de vários temas importantes do taoismo: o cultivo da Natureza Originária e do Princípio da Naturalidade, a visão da totalidade baseada no Princípio do Caminho (Dao), a percepção sutil e singular do Homem Superior, a aprendizagem da arte profunda taoista, a harmonia com o Sopro Vital, o estado de plenitude do Vazio, o poder misterioso da Não-Ação e do Não-Saber, a viagem interior, o auto-domínio e a autossuficiência do Sábio em relação às influências externas, a crítica da linguagem, a concentração da mente, a compreensão da vida e da morte como fenômenos complementares, a meditação no Silêncio, o cultivo da Suavidade, a inconstância dos eventos da vida, a prática do desapego em relação à riqueza, ao poder e à reputação, a superação das dicotomias provocadas pela mente mundana, a reflexão sobre a morte e a felicidade em nossa existência, dentre outros tópicos.       

 

Algumas estórias são carregadas de ambiguidades, cheias de humor e ironia no sentido de transgredirem a lógica comum. Somos confrontados com eventos extraordinários que extrapolam nossa compreensão racional. Para Liezi e os taoistas em geral, é mais importante seguirmos o Princípio da Naturalidade e cultivarmos o Silêncio do que nos apoiarmos no discurso baseado em princípios lógicos. A linguagem discursiva racional é apenas uma operação artificial/mental que nos afasta do curso real das coisas. Essa é uma das características fundamentais do taoismo e, no caso específico de Liezi, revela a sua visão filósofica da realidade. Longe de ser meramente abstrata e teórica, tal visão se enraíza no cultivo do estado do Vazio e na prática da meditação da mente. O estado do Vazio permite que a mente possa superar e transcender os conceitos dicotômicos como certo/errado, ganho/perda, vida/morte, benefício/prejuízo que constituem nossa visão dualística. Por isso, seria plausível pensarmos numa aproximação entre Budismo e Taoismo no sentido de que aqui essas estórias cheias de paradoxos anteciparam os célebres koans do budismo chan chinês (precursora do zen-budismo), justamente por ultrapassarem os limites estreitos da mente lógica mundana.

           

Na filosofia taoista de Liezi, reconhecemos que há uma lei natural na qual se inclui a dimensão da existência humana. Compreender essa lei suprema natural é alcançar uma visão ampliada e holística do Todo. Significa que por detrás de cada fenômeno de mudança, é possível reconhecer um Princípio Imutável – que Liezi chama de “Inegendrado” – que transcende a realidade mutável, efêmera e ilusória das coisas. Segundo Liezi, esse Princípio Imutável, que não é senão o próprio Caminho (Dao), é a lei da Geração e Mutação de todos os seres, mas ele mesmo permanece imutável, constante, uno e idêntico consigo mesmo: “o Princípio da Geração é o Inegendrado e o Princípio da Mutação é o Imutável. O Inegendrado possui a força de gerar e o Imutável possui a força de transmutar. As coisas que são geradas jamais escapam da Geração. As coisas que são transmutadas jamais escapam da Mutação. Por isso, há sempre a Constante Geração e a Constante Mutação. Os fenômenos do mundo estão a todo instante sendo gerados e transmutados, seguindo a alternância dos Sopros Yin e Yang e das quatro estações, porém somente o Inegendrado permanece uno e idêntico consigo mesmo. Tal como o Imutável jamais se esgota com os seus movimentos infinitos de avanço e retorno, da mesma maneira, o Princípio do Caminho (Dao), em sua unidade, permanece inesgotável.”

           

Desse modo, compreendendo esse Princípio do Caminho, o Sábio realiza suas ações e se adequa de maneira flexível à cada situação. Ele percebe que, apesar de existirem diversas circunstâncias contrárias e heterogêneas em constante mutação como sucesso/fracasso, vida/morte, ganho/perda, todos acontecimentos possuem sua razão de ser, seu “dever” intrínseco e essencial, já que cada parte, dotada de sua natureza apropriada(宜–yì), se manifesta e atua em conformidade com sua função dentro do Todo. Essa visão lúcida e englobante ultrapassa as crenças mentais, os juízos parciais, os condicionamentos, os hábitos de pensamento, as noções particulares e subjetivas, visto que se trata de uma vivência profunda na imanência da Totalidade. Por isso, longe de ser fatalista ou negativista, a atitude do Sábio se mostra plenamente natural, harmônica e condizente com a Ordem Genuína (理– lǐ) das coisas, ou seja, ele possui uma compreensão ampla dos acontecimentos do mundo e, por isso, atua de acordo com o Princípio da Naturalidade (自然–zìrán), aceitando e respeitando a Natureza Originária (性–xìng) de todo processo dinâmico da realidade.

           

Na Quarta Parte do Livro, há uma fala esclarecedora de Guan Yin a esse respeito: “Se você não abrigar em si mesmo nenhum apego (无居-wújū), todas as coisas se manifestarão. Ao se mover, seja como a água. Ao permanecer em silêncio (静–jìng), seja como um espelho. Ao corresponder ao mundo, seja como um eco. Esse Caminho (道-dào) segue a existência das coisas. Embora todas as coisas possam se desviar do Caminho, esse último nunca se afasta delas. Desejar seguir o Caminho por meio da visão, audição, força física ou inteligência não é apropriado. Embora seja visto diante de nós, o Caminho pode repentinamente emergir por detrás. Por isso, ao ser utilizado, ele preencherá todo espaço. E, quando for abandonado, jamais saberemos o seu destino. Mesmo que à distância, ele não será alcançado pela mente e, embora esteja próximo, nem será alcançado pela não-mente. Somente poderá alcançá-lo aquele que, em silêncio, realizar a sua Natureza Originária (性–xìng). Conhecer e esquecer as emoções, agindo pela Não-Ação, eis o que é o Verdadeiro Saber (真知–zhēnzhī) e o Verdadeiro Poder (真能–zhēnnéng). Assim, desabrochando-se o Não-Saber, como seria possível se apegar às emoções? Desabrochando-se o Não-Poder, como seria possível agir forçosamente? Contudo, seria inapropriado agir pela Não-Ação (无为–wúwéi) se assemelhando a um montão de terra ou à poeira acumulada de silêncio mórbido.”

………

Minha tradução foi baseada diretamente no texto chinês antigo de Liezi e auxiliada pela frequente consulta aos estudiosos chineses atuais como Zhuang Wan Shou e Ye Bei Qing, que em suas edições traziam as suas respectivas traduções em chinês moderno. Esse livro é como um prisma cheio de nuances, sutilezas e mistérios, um território novo que exige dos leitores um mergulho na sua riqueza simbólica, poética e filosófica. É por isso que aliei o meu conhecimento da língua antiga chinesa com essas primorosas traduções chinesas para realizar o presente trabalho. Meu estudo e pesquisa do pensamento chinês vem se desenvolvendo junto com meu ensino da língua chinesa e da filosofia clássica chinesa, e do convívio com os alunos em várias instituições como Centro Cultural de Taipei, UNIFESP, Escola Brasileira de Medicina Chinesa (EBRAMEC), dentre outras. Vejo o público brasileiro cada vez mais dedicado em se aprofundar no taoismo e, de maneira geral, na cultura e no pensamento chinês. Uma das principais razões que me motivaram a traduzir esse livro foi o meu amor pela cultura chinesa, e sobretudo, pelos ensinamentos taoistas e budistas. Como traduzi e publiquei pela mesma editora o Dao De Jing do mestre e pensador taoista Laozi, esse novo trabalho é uma continuidade do processo de minhas pesquisas, aulas, estudos e práticas. É evidente que esse amor já tinha começado no período da minha adolescência na década de 80 com minhas incursões na Filosofia e Literatura. Mas um marco decisivo para minha vida foi o retorno à minha terra natal: a viagem de imersão à Taiwan em 2014 a convite do Centro Cultural de Taipei.

           

Desde então, venho aprofundando e pesquisando novas possibilidades de educar, pensar e ser num mundo cada vez mais complexo a partir da interdisciplinaridade propiciada pela visão holística do Taoísmo. Lendo e pesquisando no grego clássico e no chinês antigo, encontrei semelhanças entre o pensamento de Plotino e o pensamento de Laozi, Liezi e Zhuangzi no que se refere à visão holística da realidade. É evidente que há certas diferenças entre Taoismo e Neoplatonismo devido aos seus contextos específicos, mas no que diz respeito à concepção da Unidade e da Totalidade, vislumbrei similaridades e aproximações. Nesse sentido, as obras de Laozi, Liezi, Zhuangzi e Plotino mudaram completamente – e continuamente estão mudando – minha visão de mundo. É preciso lembrar também que o Vazio Perfeito de Liezi e o Dao De Jing de Laozi determinaram o desenvolvimento de outras áreas do conhecimento como a medicina tradicional chinesa, o tai-chi, o qi-gong, a acupuntura assim como inspiraram a atual visão holística e sistêmica da realidade.

Referências Bibliográficas

Zhuang, Wan Shou (莊萬壽). Liezi Duben 列子讀本 (Liezi com tradução e notas). Taipei: SanMinShuju, 2009.

Ye, Bei Qing (叶蓓卿). Liezi 列子 (Liezi com tradução, comentários e notas). ZhongHuaShuJu, 2016.

RAÍZES DA SABEDORIA - HONG YING MING
(MINHA TRADUÇÃO) 
Leiam esses poemas do livro Raízes da Sabedoria do filósofo Hong Ying Ming (1572-1620) que sintetizou as correntes do Taoismo, Budismo e Confucianismo na sua filosofia

 

Quando a mente se desapega dos desejos

ela se torna um vastíssimo oceano em dias de outono.

Assim, sentados com livros e órgãos musicais,

parece que vivemos a nossa vida como os divinos imortais.

心無物欲,

即是秋空薺海;

坐有琴書,

便成石室丹丘。

No silêncio da noite profunda,

ouvindo os sons dos sinos distantes,

despertamos da ilusão dos sonhos.

Contemplando a sombra da lua no lago límpido,

vemos o espírito que está além do nosso corpo.

聽静夜之鍾聲,

唤醒夢中之夢;

觀澄潭之月影,

窺見身外之身。

LIVRO DO DAO DE JING - LIVRO DO CAMINHO E DA VIRTUDE
(MINHA TRADUÇÃO) 

REVISTA BRAZILHR - revista muito conhecida na comunidade chinesa aqui em São Paulo - publicou os capítulos (9, 10, 11, 12, 13) da minha tradução do livro clássico “Dao De Jing” de Laozi (Editora Mantra-2017) em versão bilíngue (mandarim-português). 

 

Confiram no link: https://brazilhr.com/?p=424946&

TRECHO DO VAZIO PERFEITO DE LIEZI (MINHA TRADUÇÃO) 

Leiam esse texto do livro "Vazio Perfeito" que será lançado em breve pela Editora Mantra. 

   Um oficial de alto escalão do Estado de Chen fez uma visita ao Estado de Lu para se encontrar com Shu Sun. Durante o encontro, Shu Sun observou: “No nosso Estado há um homem sábio”.

   “Esse homem não seria Confúcio?” – indagou o oficial.

   “Sim.” – asseverou Shu Sun.

   “Como você sabe que ele é sábio?” – perguntou o oficial.

   “Segundo o que relata seu discípulo Yan Hui, Confúcio podia abandonar sua mente e ainda atuar com seu corpo.” – disse Shu Sun.

   Então, o oficial comentou: “No nosso Estado há também um homem sábio. Você nunca ouviu falar dele?”

   “Quem é esse homem sábio?” – perguntou Shu Sun.

  “O discípulo de Laozi se chama Kang Cangzi. Ele adquiriu a arte do Caminho (Dao). Pode ver com os ouvidos e ouvir com os olhos.” – disse o oficial.

   Ao saber disso, o nobre do Estado de Lu ficou estarrecido. Encarregou um alto funcionário para trazer Kang Cangzi ao Estado de Lu a fim de presenteá-lo com honrarias. Kang Cangzi atendeu à esse convite. Então, o nobre com humildes palavras questionou Kang Cangzi sobre esse assunto, porém esse último explicou: “Os boatos que dizem a meu respeito são falsos! Posso ver e ouvir sem utilizar os olhos e ouvidos. O que não posso é substituir as funções dos olhos e ouvidos.”

   “Isso realmente é esquisito. De que modo acontece? Gostaria de saber!” – solicitou o nobre.

  “Meu corpo se harmoniza com a minha mente” – continuou Kang Cangzi – “minha mente se harmoniza com o Sopro Vital, meu Sopro Vital se harmoniza com meu espírito, meu espírito com o Vazio. Desse modo, posso ver uma forma pequeníssima ou ouvir um som extremamente sutil, ainda que ambos estejam distantes em lugares mais remotos ou bem perto dos meus olhos. Entretanto, essa percepção não ocorre através dos meus cinco sentidos ou dos meus órgãos internos. Na verdade, eu simplesmente conheço essas coisas!”

   Depois de ouvir essas palavras, o nobre do Estado de Lu ficou muito contente e, num certo dia, relatou essa estória para Confúcio, que simplesmente sorriu sem responder.

 

陈大夫聘鲁,私见叔孙氏。

叔孙氏曰:“吾国有圣人。”

曰:“非孔丘邪?”

曰:“是也。”

“何以知其圣乎?”

叔孙氏曰:“吾常闻之颜回,曰:‘孔丘能废心而用形。’”

陈大夫曰:“吾国亦有圣人,子弗知乎?”

曰:“圣人孰谓?”

曰:“老聃之弟子有亢仓之者,得聃之道,能以耳视而目听。”

鲁侯闻之大惊,使上卿厚礼而致之。亢仓子应聘而至。鲁侯卑辞请问之。

亢仓子曰:“传之者妄。我能视听不用耳目,不能易耳目之用。”鲁侯曰:“此增异矣。其道奈何?寡人终愿闻之。”

亢仓子曰:“我体合于心,心合于气,气合于神,神合于无。其有介然之有,唯然之音,虽远在八荒之外,近在眉睫之内,来干我者,我必知之。乃不知是我七孔四支之所觉,心腹六脏之知,其自知而已矣。”

鲁侯大悦。他日以告仲尼,仲尼笑而不答。

TRECHO DO VAZIO PERFEITO DE LIEZI (MINHA TRADUÇÃO) 

Após três anos de aprendizado com seu Mestre, Liezi já não se preocupava mais com as definições de verdade e erro, como tampouco falava sobre benefício ou prejuízo. Somente desse modo, Liezi conseguiu que, pela primeira vez, seu Mestre lhe dirigisse o olhar.

Porém, depois de mais cinco anos de aprendizado, ele estava novamente pensando sobre o que é certo ou errado e falando sobre benefício ou prejuízo. Entretanto, passados sete anos, ele pensava em tudo o que lhe vinha à mente sem distinguir entre verdade ou erro, e falava sem diferenciar entre benefício ou prejuízo. Por isso, seu Mestre convidou-o para sentar junto dele.

           

Então, nove anos depois, Liezi pensava sem nenhuma restrição sobre tudo o lhe passava na mente. Falava sem ter o conhecimento sobre o que é certo ou errado, sobre o que é benéfico ou prejudicial tanto para si mesmo como para os outros. Desse modo, já não tinha mais a concepção do que era interior e exterior. Assim, seus olhos eram semelhantes aos ouvidos que ouviam, os ouvidos eram como o nariz que cheirava, o nariz se assemelhava à boca que comia e não havia nenhum órgão que não pudesse se assemelhar a um outro.

           

Por isso, quando a mente se concentra, o corpo se purifica, os ossos e a carne se fundem entre si, sem que tenhamos conhecimento do espaço onde o corpo se apóia e do lugar onde os pés pisam, sem sabermos o que se encontra na mente e na fala, somente então o princípio de todas as coisas jamais nos será desconhecido.

 

    初,子列子好游。壶丘子曰:“御寇好游,游何所好?”列子曰:“游之乐所玩无故。人之游也,观其所见;我之游也,观之所变。游乎游乎!未有能辨其游者。”壶丘子曰:“御寇之游固与人同欤,而曰固与人异欤?凡所见,亦恒见其变。玩彼物之无故,不知我亦无故。务外游,不知务内观。外游者,求备于物;内观者,取足于身。取足于身,游之至也;求备于物,游之不至也。”于是列子终身不出,自以为不知游。壶丘子曰:“游其至乎!至游者,不知所适;至观者,不知所眂,物物皆游矣,物物皆观矣,是我之所谓游,是我之所谓观也。故曰:游其至矣乎!游其至矣乎!”

O CANAL DO SEGREGO DOS MESTRES PUBLICOU O CAPÍTULO 10
DO DAO DE JING (MINHA TRADUÇÃO) COM VÍDEO

O canal "Segredo dos Mestres" publicou o capítulo 10 da minha tradução do livro clássico “Dao De Jing” de Laozi (Editora Mantra-2017) em versão bilíngue (mandarim-português) acompanhado pelos meus comentários em vídeo. 

 

Confiram no link: https://www.segredodosmestres.com.br/single-post/2019/05/04/Dao-De-Jing---O-Livro-do-Caminho-e-da-Virtude-Cap-10

MINHA TRADUÇÃO DOS CAPÍTULOS INICIAIS
DO DAO DE JING DE LAOZI NA REVISTA CHINESA BRAZILHR

REVISTA BRAZILHR - revista muito conhecida na comunidade chinesa aqui em São Paulo - publicou os capítulos iniciais (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8) da minha tradução do livro clássico “Dao De Jing” de Laozi (Editora Mantra-2017) em versão bilíngue (mandarim-português). 

 

Confiram no link: https://brazilhr.com/?p=233998&

MINHA TRADUÇÃO DO FRAGMENTO DO ENSINAMENTO ZEN DE BODHIDHARMA (达摩) - BUDISMO CHAN (V d.C.) UTILIZADO EM MINHAS AULAS

 

A Verdade transcende as palavras. E doutrinas são apenas palavras. Elas não são o Caminho. O Caminho existe sem palavras. Palavras são miragens. Elas são como visões nos seus sonhos noturnos, como palácios, carruagens, parques floridos ou pavilhões às margens dos lagos. Não pense em usufruir dessas coisas. Elas são causas de renascimento. Seja consciente da aproximação do momento da morte. Não se apegue às formas. Elimine os obstáculos. Um momento de dúvida poderá atraí-lo para o encantamento dos demônios. O seu corpo é real e imperturbável. Porém, devido a tais ilusões, você permanece inconsciente disso. E assim você padece dos efeitos de suas ações cármicas. Nas situações de prazer, você nunca encontrará a liberdade. Mas, assim que você compreende sua mente e corpo originários (natureza búdica), então você deixará de ser contaminado por apegos.

 

至理绝言。教是语词。實不是道。道本无言。言说是妄。若夜梦见楼阁宫殿象马之属。及树木从林池亭如是等相。不得起一念乐着。尽是托生之处。切须在意。临终之时。不得取相。即得除障。疑心瞥起。即魔摄。法身本来请净无受。只缘迷故。不觉不知。因兹故妄受报。所以有乐着。不得自在。只今若悟得本来身心。即不染習。

REVISTA DAOJIA

      A REVISTA DAOJIA publicou em sua nova edição de 2019 uma seleção do novo livro "Vazio Perfeito" do mestre e pensador taoísta Liezi na minha tradução.

 

O livro na íntegra será publicado em breve.

Confiram no http://www.mediafire.com/file/mvfbx64su4cux74/daojia%2310.pdf

REVISTA ZÚNAI 

      A REVISTA ZÚNAI publicou em sua nova edição de 2019 os poemas de Wang Wei na minha tradução. Confiram em versão bilíngue no http://zunai.com.br/post/182719309293/torre-de-babel-1-wang-wei?fbclid=IwAR0XUrH_GdioDTX4iR_oMyTlkFIzTDWat3z_uvmm0RHLZMS4rHv6XMvT0yc

CULTIVO DO SILÊNCIO DA MENTE - 修養平静心

Leiam meu pequeno texto "Cultivo do silêncio da mente" originalmente escrito em chinês e depois traduzido por mim para português. Foi utilizado nas minhas aulas de Taoísmo. 

 

            有时候我们的心是比较急躁,所以不太容易感觉到呼吸。当我们静坐的时候,心与呼吸一般都处在比较相近的层次,那么我们能够注意到呼吸。当心调谐得更平稳时,我们就不必要担心。我们会发现呼吸若隐若现,就好像没有了呼吸。我们的呼吸可能达到一种很平静的状态吗?

 

            Às vezes nossa mente é muito irritável, e por isso não é muito fácil sentirmos nossa respiração. Quando meditamos, nossa mente e nossa respiração se correspondem num nível de harmonia e então podemos prestar atenção à respiração. Quando harmonizamos a mente de maneira estável, não temos mais necessidade de preocupações. Perceberemos que a respiração ora fica imperceptível ora perceptível, como se nem tivesse respiração. Somos capazes de alcançar a dimensão silenciosa de nossa respiração?

   

            身体的各个部位都需要氧气。我们通过鼻孔和气管,把氧气输进肺部,再由肺部送到身体的每一个部位。然后通过鼻孔把身体所代谢的二氧化碳输送出体外。其实,皮肤的一些毛细孔也能产生呼吸作用,但是呼吸比较粗显的部位还是在鼻子。身体呼吸氧气之后,能够产生一种能量。当我们静下心来,身体内部所需要的氧气也相对地减少,所以呼吸会慢慢地调细; 如果我们真的进入平静的状态,可能只需要毛细孔去接受氧气就足以供应了。

 

            Cada parte de nosso corpo precisa de oxigênio.  O oxigênio é transportado para as partes do pulmão passando pelo nariz e traqueia, e assim do pulmão é transportado para todas as partes. Depois através do nariz, o dióxido de carbono é metabolizado e transportado para fora do corpo. Na verdade, alguns poros da pele podem também desempenhar a função da respiração, mas a parte mais evidente da respiração ainda é o nariz. Após respirar o oxigênio, o corpo produz uma espécie de energia. Na medida em que nossa mente se silencia, as partes de nosso corpo têm menos a necessidade de oxigênio, e por isso a respiração começa a ficar sutil; se pudermos adentrar no estado do silêncio, é possível que seja suficiente a respiração através dos poros da pele.

 

            如果发现呼吸不见了,也许是真的到了身体不太需要氧气的时候,也就是进入平静的状态了。但是有时候我们觉察不到呼吸,并不是真正进入平静的状态,而是呼吸调得比较细,心比较粗,所以觉察不到呼吸而已。

           

            Se percebemos que nossa respiração fica imperceptível, talvez seja o momento em que nosso corpo não precisa de tanto oxigênio, ou seja, penetramos no estado de silêncio. Mas quando às vezes não percebemos a respiração, isso não é devido ao fato de que penetramos no estado de silêncio, mas porque nossa respiração se sutilizou, mas a mente está num estado grosseiro, e por isso não percebemos a respiração.

 

            当进入平静的状态时,如果心很平稳,感觉很踏实,那就表示静坐功夫达到很好的境界。当然一般当我们刚进入平静的状态时,会感觉到很单调,很不稳定,而且心还是跟随那些杂乱的念头。所以一进入平静的范围,因为没有什么东西让我们攀缘,心会空空荡荡。一旦看到念头生起,就马上攀附与它; 这么一攀,心又回到比较粗的层面,又得从数息开始用功,慢慢再调回平静的状态。

 

           Quando penetramos no estado de silêncio, se nossa mente estiver firme e nossas sensações estiverem estáveis, isso mostra que nossa prática de meditação alcançou uma dimensão excelente. É claro que na maioria das vezes em que penetramos no estado de silêncio, sentimos a monotonia, a instabilidade, e nossa mente ainda segue aqueles pensamentos confusos. Por isso, assim que penetramos na dimensão do silêncio, como não há nada a qual podemos nos agarrar, nossa mente ficará vagando. Assim que nossa mente vê o surgimento de um pensamento, imediatamente ela o segue; na medida em que o segue, a mente volta ao estado mais grosseiro, e deve novamente praticar desde o começo para retornar pouco a pouco ao estado de silêncio.

 

            虽然我们的心会表现多重多樣的念头,但是我们还能觉察其扰乱的状态。当我们专注地观察到其消失的现象,我们就会放下一点,对外在的事物不产生执着。如果我们能够实现老子所提倡的『静』【道德经 ·十章】以及庄子与司马承祯讲的『坐忘』,这样我们的心会越来越平稳。假如我们的心渐渐地回归到原来与永恒的本质,我们就会很容易地把心与身体融成一体,使两者处于在一种很自然、沉寂与充沛的状态。

            Embora nossa mente manifeste uma diversidade de pensamentos, ainda podemos perceber o seu estado de perturbação. Quando com concentração observamos o fenômeno de sua desaparição, então nos desprendemos um pouco e não nos apegamos às coisas externas. Se pudermos praticar o “silêncio” que Laozi (capítulo 10 do Dao De Jing), Zhuangzi e o mestre budista-taoísta Sima Cheng Zhen recomendam, então nossa mente se tornará cada vez mais estável. Se nossa mente gradativamente retornar à essência originária e eterna, então facilmente unificaremos o corpo e o espírito, fazendo com que ambos estejam num estado natural, completo e silencioso.

MINHA TRADUÇÃO DO FRAGMENTO DO CANTO DA ILUMINAÇÃO
DO MESTRE BUDISTA YONG JIA - BUDISMO CHAN (665 - 712) - UTILIZADO EM MINHAS AULAS

O Espelho da Mente é límpido e sem manchas.

Penetra o vasto espaço até os recantos mais sutis.

Todos os dez mil fenômenos refletem-se ali,

 brilhando com perfeição e sem a distinção entre interior e exterior.

Quando queremos alcançar o Vazio, negamos o mundo das causas e efeitos;

mas, isso causa transtornos e infortúnios.

Eis a doença de renunciar à existência e apegar-se ao Vazio.

É como mergulhar nas chamas ao fugir d`água.

 

Quem agarra-se à verdade e abandona a falsidade

incorre em discriminações e artificialidades.

Mesmo sem compreensão, se um aprendiz pratica com disciplina,

poderá tratar até um inimigo como um verdadeiro filho.

A destruição dos Dharmas e a extinção dos méritos

ocorre devido a essa mente discriminativa.

Eis por que o caminho do Zen é compreender a Natureza da Mente,

e, com a força da intuição repentina, conhecer o princípio do Não-Nascimento.


Um grande mestre traz consigo a Espada da Sabedoria,

cuja lâmina diamantina corta todos os laços da ignorância.

Ele não só destrói a mente dos filósofos

como também derruba o espírito dos demônios.

 

Ele faz soar os trovões e os tambores do Darma,

derrama nuvens de compaixão e chuvas de néctar.

Beneficia todos os seres 

já que se conduz no caminho como um elefante ou um dragão. 

心鏡明。鑒無礙。廓然瑩徹周沙界。

萬象森羅影現中。一顆圓光非內外。

豁達空。撥因果。莽莽蕩蕩招殃禍。

棄有著空病亦然。還如避溺而投火。

捨妄心。取真理。取捨之心成巧偽。

學人不了用修行。真成認賊將為子。

損法財。滅功德。莫不由斯心意識。

是以禪門了卻心。頓入無生知見力。

大丈夫。秉慧劍。般若鋒兮金剛焰。

非但空摧外道心。早曾落卻天魔膽。

震法雷。擊法鼓。布慈雲兮灑甘露。

龍象蹴踏潤無邊。

TRECHO DO LIVRO VAZIO PERFEITO DE LIEZI

Segue abaixo minha tradução inédita de um dos trechos do livro "Vazio Perfeito" de Liezi que em breve será publicado. Esse trecho foi também utilizado em meus cursos no Centro Cultural de Taipei. Liezi é o nome de um importante pensador taoísta chinês, bem como do livro que escreveu, o qual constitui um dos três livros clássicos do Taoísmo (os outros dois são o "Dao De Jing" e o "Zhuangzi").

 

Long Shu disse ao médico Wen Zhi: “A sua arte médica é primorosa! Tenho uma doença. Você pode curá-la?” O médico respondeu: “Apenas farei o que você ordenar. Mas, em primeiro lugar, fale-me dos seus sintomas.”

Long Shu então disse: “Quando recebo elogios das pessoas da minha aldeia, não me sinto honrado. Quando o povo do meu país me difama, também não me considero humilhado. Quando sou beneficiado com algum proveito, não me sinto feliz. Quando sofro de algum prejuízo, não me preocupo. Vejo a vida e a morte como sendo idênticos. Os ricos e os pobres são seres semelhantes, assim como os seres humanos e os porcos. Eu mesmo me considero igual aos outros. Morar em minha casa é como morar numa estalagem. Vejo minha terra natal e um território bárbaro sendo de mesmo valor. Embora possua essas doenças, nenhuma titulação honorífica me encoraja e nenhuma punição me ameaça. Nem a prosperidade ou o fracasso, nem o benefício ou o prejuízo conseguem me alterar. Alegria e tristeza também não me afetam. Além disso, não consigo servir ao meu princípe nem posso conviver com meus amigos e parentes. Não consigo cuidar da minha família e tampouco administrar meus servos. Que doença é essa? Como se pode curá-la?”

Wen Zhi pediu ao Long Shu que ficasse atrás de um raio de luz. Logo, ele observou Long Shu a partir dessa linha luminosa. Após alguns instantes, Wen Zhi disse: “Ah! Vi seu coração! Está vazio como o coração de um sábio. Há circulação entre os seus cinco orifícios, mas apenas num deles está bloqueada. É possível que você esteja acometido pela doença da sabedoria! Por isso, minha arte médica tão insignificante é incapaz de curá-lo.”

龍叔謂文摯曰:「子之術微矣。吾有疾,子能已乎?」文摯曰:「唯命所聽。然先言子所病之證。」

龍叔曰:「吾鄉譽不以為榮,國毀不以為辱;得而不喜,失而弗憂;視生如死,視富如貧,視人如豕,視吾如人。處吾之家,如逆旅之舍;觀吾之鄉,如戎蠻之國。凡此眾庶,爵賞不能勸,刑罰不能威,盛衰利害不能易,哀樂不能移。固不可事國君,交親友,御妻子,制僕隸。此奚疾哉?奚方能已之乎?」文摯乃命龍叔背明而立。

 

文摯自後向明而望之,既而曰:「嘻!吾見子之心矣,方寸之地虛矣,幾聖人也!子心六孔流通,一孔不達。今以聖智為疾者,或由此乎!非吾淺術所能已也。」

METACORPOREIDADE À LUZ DO TAOÍSMO

Metacorporeidade é o corpo em processo fluídico tecendo e se entretecendo com as inumeráveis interconexões do mundo. É a imersão num labirinto de singularidades. Aqui abandonamos as maquinações que a nossa razão construiu para si, as suas edificações gloriosas, as suas astuciosas dissimulações, os meandros esclerosados das célebres imagens que constantemente adornam, encobrem e enfraquecem a potência de nosso próprio corpo. Desse modo, prolongamos e dilatamos os tentáculos abissais enquanto corpo-tecido de sensações e formas que se costuram e se reconsturam a cada momento da criação. Eis o que é o ser-metacorpóreo, mesmo que na sua condição precária e contingente. Esse atormentado prometeu atiçado pelo êxtase do fogo alquímico. Mago-transgressor-andarilho-monge propiciatório de outros caminhos. Aqui abandonamos toda oposição entre inferno e paraíso, corpo e alma, espírito e matéria. Eis por que metacorporificamos as potências das rachaduras catalisadoras. Por isso, com nosso corpo dançamos, escrevemos, esculpimos e incineramos as fissuras do aqui e agora. Sem subordinar-se a sistema, moral, Deus, razão ou quaisquer ordens físicas e espirituais. Somos um gigantesco polvo que escancara suas texturas escultóricas, que oscila entre as fronteiras do visível e invisível.

           

Mais do que essa mera engrenagem física de articulações, órgãos e funções, mais do que esse objeto factual conceituado e analisado pela anatomia, mais do que esse corpo hedonista-consumista-produto feitichizado, o ser-metacorpóreo é porosa magnitude sísmica, esponjosa vastidão crivada de intensidades e implosões. É uma teia, uma galeria subterrânea. Fronteira com o outro. Zona de risco. Caverna oceânica que se alastra e transvasa para além das formas delimitadas. Informe-insondável. Esfinge de Édipo e Esplendor de Shiva. Antígona em pleno século XXI. O corpo metacorporificando-se é o símbolo das mutações do I Ching. Travessia na qual todas as forças se entrecruzam para engendrarem outras matérias. Anarquista por sua própria natureza. Nesse tempo de retrocessos e neo-fascismos, penetramos no não-nascido de Yong Jia, na dança das trevas de Hijikata, peregrinamos nos vales do infinito de Liezi, navegando contra e além de todas as doutrinações. Sendo um espectro de variações, o ser-metacorpóreo é irredutível magma de sóis invertidos, lua-náusea, constelação-de-devires impossível de ser esquematizada pelas categorias do pensamento. Assim, esse ser-metacorpóreo que se imiscuiu com as outras texturas, que se moldou no meio das reentrâncias, que se distendeu no tempo-espaço, escapa das grades limitantes da lógica de nosso saber especializado, erudito e bem-comportado. Extravasa, estruge, excreta, explode. Expandindo-se sempre como um cometa cheio de viscosidades, atravessando as órbitas do desejo, evadindo-se para fora dos circuitos. Assim é que o ouro, o chumbo e todas as suas moléculas se aglutinam a fim de propiciar a incandescência das transmutações.

           

E para que resistir à tais forças insólitas que catalisam os ossos e as nervuras? E para que engessar o corpo nas couraças petrificantes? Metacorporeidade é dilatar-se e dissolver-se com o corpo poroso, com o corpo aberto aos fluxos de acontecimentos e multiplicidades singulares, a ponto de se purificar no jejum da mente do mestre taoísta Zhuangzi, descentralizando-se por meio da deriva nômade do corpo sem órgãos de Deleuze, Artaud e suas medusas insurgentes. Assim, contemplar-se a si mesmo através do próprio corpo, no aqui e agora, como Bodidharma (precursor do Zen) concentrando-se nesse contínuo ir-e-vir da meditação fulgurante, súbito desprender-se de todas as regras e preceitos artificiais. Assim, deixando de lado as excrescências e cultivando a essência vital, unificamos corpo e espírito no caminho do cultivo de Tao Hong Jing. O corpo aqui é matéria-prima para a rebelião silenciosa e solitária. Trama de imperceptíveis entrelaçamentos do corpo de Merleau-Ponty. Assim, silenciosamente vou dilatando o campo das metamorfoses, transformando-me em mulher, homem, mariposa, lagarto, ametista, demônio e todas as infindáveis micro-vibrações que pulsam, perduram e persistem ao longo de incessantes épocas históricas e míticas. Pois aqui a história é mito e mito é história, e cessa toda oposição entre finitude e infinitude, todo maniqueísmo entre bem e mal, Deus e demônio, a dualidade fatídica, a busca do transcendental. Superamos o fosso intransponível que ergue barreiras entre o sensível e o inteligível. Deixamos as classificações arbitrárias que separam corpo e mundo, consciência e realidade. Quando estamos no processo de metacorporificação, as singularidades múltiplas, os opostos, as nuances, os diversos momentos da existência se complementam e se abraçam numa convergência misteriosa. Nascem outras realidades. O mundano é sagrado. O sagrado é mundano. Aqui celebramos as núpcias do Dao, Deus, Dharma e todos os fenômenos da realidade.

REVISTA DAOJIA

      A REVISTA DAO JIA (道家) publicou em sua nona edição de 2018 meu ensaio "A filosofia de Laozi" escrito originalmente em chinês e depois traduzido por mim para português. Confiram no http://www.revista.taoismo.org/

 POEMA CLÁSSICO DE WANG WEI (王维 / 701-761 d.C.)


空山新雨后,天气晚来秋。
明月松间照,清泉石上流。
竹喧归浣女,莲动下渔舟。

随意春芳歇,王孙自可留。

Com o fim da chuva, vislumbra-se

uma silenciosa e desolada montanha.

A noite de outono traz uma diáfana brisa

e, entre os pinheiros, cintila a lua translúcida.

As águas límpidas e murmurejantes

das nascentes balançam-se sobre as pedras.

De dentro da floresta de bambus, ouvem-se rumores

que são como os passos de uma donzela retornando ao lar.

O barco de pesca embala a cortina de folhas

de lótus que não cessam de oscilar.

Embora não se veja ainda a relva da primavera,

belíssima se revela a paisagem de outono,

  pois ali os filhos dos reis e príncipes

com serenidade podem repousar.

晚年惟好静,万事不关心。
自顾无长策,空知返旧林。
松风吹解带,山月照弹琴。
君问穷通理,渔歌入浦深。

Na velhice, desejo somente o silêncio.

Não tenho nenhuma aflição na mente, nenhum plano a ser cumprido.

Quero apenas retornar à antiga floresta e conhecer o Vazio.

Os pinheiros assopram minha cintura.

A lua fulgurante ilumina enquanto toco uma música.

Se acaso você quiser saber o que é o infortúnio ou a felicidade,

pergunte ao pescador que está cantando à beira do lago profundo!

TRECHO DE AULA DE TAOÍSMO  

      Todo momento é raro e único. Deveríamos extirpar nosso medo e acender a chama da consciência. Perceber que tanto o florescimento da vida como a sua decadência pertencem à mesma realidade. Geralmente o curso dos acontecimentos se processa em mudanças sutis, imperceptíveis e graduais. É difícil percebermos, porém essa é a natureza do “inominável”. A observação de Liezi é significativa: “O movimento da natureza é incessante. É como o movimento secreto do Céu e da Terra. Quem tem a percepção disso? Por isso, todos os seres ora decaem, ora crescem. Ora atingem a completude, ora permanecem na deficiência. A decadência e o crescimento, a completude e a deficiência, mal vêm à existência, já desaparecem. Sendo imperceptível o intervalo entre a sua chegada e o seu retorno, quem poderá percebê-lo?”

    每时每刻都是罕见而独特的。我们应该消灭我们的恐惧,点燃意识的火焰。意识到生命的繁荣而衰变都是属于同一样的现实。一切事物都发生在微妙,不可察觉和渐进的变化。这是很难察觉的,但这是“无明”的本质。列子的观察是有意义的:“自然的运动是没有停止的,像天地不断的运行,有能够察觉到吗?所以万物在那边有所损失,就在这边有所盈余;成全在这边,就亏缺在那边。损失到盈余,成全到亏缺,随生就随死。这样一来一往的相连接着,是没有间隙可看到的,那么又有谁能察觉到吗?”

SEGREDOS DOS MESTRES

O portal Segredos dos Mestres publicou trechos do livro "Vazio Perfeito"

do pensador taoísta Liezi que em breve será publicado.

 

Veja no link: https://www.segredodosmestres.com.br/single-post/2018/09/25/Vazio-Perfeito-de-Liezi

SEGREDOS DOS MESTRES

O portal Segredos dos Mestres publicou capítulo 6 do livro "Dao De Jing" de Laozi na minha tradução (Editora Mantra) acompanhado pelo meu vídeo-aula.

 

Veja no link: https://www.segredodosmestres.com.br/single-post/2018/09/03/Dao-De-Jing-2---O-Livro-do-Caminho-e-da-Virtude-Cap%25C3%25ADtulo-6

SEGREDOS DOS MESTRES

O portal Segredos dos Mestre publicou capítulo 40 do livro "Dao De Jing" de Laozi na minha tradução (Editora Mantra) acompanhado pelo meu vídeo-aula.

 

Veja no link: https://www.segredodosmestres.com.br/single-post/2018/08/28/Dao-De-Jing---O-Livro-do-Caminho-e-da-Virtude

Meu livro chinês "Laozi" com texto original e tradução para chinês moderno acompanhado pelos comentários de Tang Zhang Ping e Wang Chao Hua

老子的哲学 – A filosofia de Laozi (meu ensaio escrito originalmente em chinês com minha tradução para português)

 

我们在繁忙的生活过程中发现人生会带来多种的困扰。对于哲学研究,生死是一种非常基本的问题。个人可以注意自己生死的可能性。因为我们不可能避免死亡,所以该精心探索这个主题。为什么我们活在这个世上? 到底人生是不是有完美终极的目标? 亚里斯多德曾经说过,假如人生没办法设定一种终极的目标,人生就会失去真切的意义,活得也没意思。原因是常常碰到太多不同的欲望,然后受到无数的挫折。大家知道这是很正常的事。如果你没满足自己想要的欲望,那么你就有些微的失落感。因此各位必须提出并去寻找这个问题,把各种各样的欲望综合成一个整体的价值观。如果没这样做,生命全然就会失去深意,甚至更无法变成有价值的生命。

 

No decorrer de nossa vida cheia de ocupações, percebemos que a existência traz inúmeros transtornos. No que diz respeito à investigação filosófica, a questão da vida/morte é extremamente fundamental. Cada indivíduo poderá estar atento à possibilidade de vida/morte. Como não podemos evitar a morte, devemos explorar cuidadosamente esse assunto. Por que vivemos neste mundo? Afinal, a existência humana possui ou não uma finalidade última e perfeita? Aristóteles já dissera que se a existência humana não encontrasse um modo de estabelecer essa finalidade última, ela perderia seu sentido autêntico, sendo que a vida se tornaria insignificante. A causa é que nos deparamos com muitos desejos e, em seguida, com incontáveis frustrações. Todos sabem que isso é até bem normal. Caso você não consiga satisfazer seus próprios desejos, então terá um pouco de sentimento de frustração. Por isso, cada indivíduo deveria colocar para si essa questão e persegui-la, fazendo com que cada desejo possa ser sintetizado numa visão holística de valores. Se não fizer isso, a vida perderá completamente seu sentido profundo, e inclusive será incapaz de se tornar uma vida digna de valor.

 

有关对于人生终极的目的,老子很谨慎观察。他所思考的现象都能激励我们的精神及提升我们的人生价值,尤其是能扩展生命的宝贵眼光。依照老子的形而上学,『道』是永恒原则,宇宙的本体。西方哲学家研究老子的思想认为它是『形而上学』。只是没了解它主要基本症结的蕴含,且经常会误解,想它属于『宗教』,或是『密契主义』,不承认是『哲学』。由于这些成见和其他不正确的思维,就包括不明白它的真理。因此,为了排除一切的迷惑,我想厘清『道』的概念以及分析它的基础特征。

 

De modo bastante cuidadoso, Laozi investiga a finalidade última da existência. Todos os fenômenos sobre os quais ele tece sua reflexão podem encorajar nosso espírito tanto como elevar o valor de nossa existência, e sobretudo, podem alargar a concepção valorativa da vida. De acordo com a metafísica de Laozi, Dao é um princípio eterno, a essência do universo. A filosofia ocidental, ao investigar o pensamento de Laozi, considera que se trata de Metafísica. Apenas não compreende a implicação desse aspecto fundamental e sempre incorre em equívocos, pensando que ela é religião ou uma doutrina mística, desconsiderando que seja filosofia. Devido a essas visões preconcebidas e concepções inapropriadas, então não se compreende a sua verdade. Em razão disso, com o objetivo de remover tais confusões, gostaria de clarificar a noção de Dao tanto como analisar a sua característica fundamental.

道德经的第一章就说: 『道可道、非常道。名可名、非常名。无、名天地之始。有、名万物之母』。老子构想『道』是一个宇宙本体,是不可以用语言表达的,它是天下万物的『母体』,永恒存在的规侓。它意味着有其超越性。倘若用语言来划定『道』的本身,绝对会把它局限当作一个范畴,限定在狭窄的范围。其实,语言是有其限制性。譬如,假如你用一种名字规定道是这个东西,立刻它就不是另外的东西。如果你规定它是『天堂』,你就否定它是『地狱』。如果你设定它是『上帝』,你就说他不是『魔』。如果你定义它是『善』,你就定义他不是『恶』。即使你规定它是什么,这定义只是常规,是主观的偏见,仍然不了解它的深层性质。因为它是『无形』,语言是无法规定它的本体。所以,假如『道』有『形』,它就会局限于时空中具体之物了。原因就是『道』会超越一些普通的『形状』,超过某些的限制。所以,各位该理解它是『无名』。假如它有了名,语言会把它规定住了,那么它就不是『常道』,亦即不是真正的『道』,无边无际的宇宙真理。换句话说,就不是永恒存在的规侓。

 

O capítulo 1 do Dao De Jing diz: “O Dao que se pode falar não é o Dao Constante. O nome que se pode nomear não é o Nome Constante. O Vazio é o princípio do Céu e da Terra. A Existência é a mãe de todos os seres.” Laozi concebe o Dao como a essência do universo que não pode ser exprimido pela linguagem, como a mãe de todos os seres, a lei de eterna existência. Isso implica o caráter de transcendência. Caso se utilize a linguagem para delimitar o próprio Dao, certamente esse ato o limitará numa categoria mental, ocasionando sua restrição num âmbito reduzido. Com efeito, a linguagem possui um caráter de limitação. Por exemplo, se você utiliza um nome e determina que o Dao seja uma determinada coisa, imediatamente ele não será outra coisa. Se você determina que ele é Paraíso, então nega que ele seja Inferno. Se você estabelecer que ele é Deus, então dirá que não é Demônio. Se você definir que ele é bom, então definirá que não é mau. Mesmo que defina o que ele seja, essa definição será apenas convencional, uma preconcepção subjetiva, sendo que você ainda não compreendeu a sua natureza profunda. Como ele é sem-forma, a linguagem será incapaz de determinar a sua natureza. Por isso, se o Dao possuísse forma, então se limitaria dentre as coisas concretas do tempo e do espaço. Daí por que o Dao ultrapassa quaisquer formas materiais e limitações. Assim, cada um deveria compreender que ele é sem-nome. Caso ele tivesse nome, a linguagem o fixaria numa determinação, e então, ele nem seria mais o Dao Constante, a saber, o Dao Verdadeiro, a verdade ilimitada do universo. Em outras palavras, ele não seria mais a lei de eterna existência.

 

由此,『道』还有一个很难了解的层次:『无』的概念。老子又阐述:『无、名天地之始』。这是太深奥与珍贵的思维。『无』的意思当然不是很容易理解,但是各位可以渐渐明白为什么老子在强调『无』的概念。老子用『无』这个词语指『道』的本始,最终极的本源。在这方面,西方人需要懂它是『究竟真实』,并且还要注意老子为何能构成这种概念。在别的篇章中他说明清楚地『道』与『无』的密切关系。至于这个形而上学的真义,『无』可以说是始源,宇宙的性质,因为整个宇宙(万物)都会回归于它。现在透过我的解释,各位慢慢能领悟老子的整体观。

 

Portanto, o Dao ainda possui uma camada de sentido bastante difícil de ser compreendido: a concepção do Vazio. Laozi expõe novamente: “O Vazio é o princípio do Céu e da Terra.” Trata-se de um pensamento valioso, profundo e misterioso. É evidente que o sentido do Vazio é difícil de ser compreendido, mas cada um poderá compreender pouco a pouco a razão pela qual Laozi está enfatizando a concepção do Vazio. Laozi utiliza o termo Vazio para referir-se à origem, à fonte última. Nesse aspecto, os ocidentais precisam compreender que ele é a Verdade Absoluta, e ainda precisa estar atento à razão pela qual Laozi constituiu essa noção. Em outros capítulos, ele explica claramente a relação íntima entre Dao e Vazio. No que diz respeito ao sentido verdadeiro da metafísica, pode-se dizer que o Vazio é a origem, a natureza do universo, uma vez que todo universo (as dez mil coisas) retorna a ele. Através da minha explicação, cada um poderá compreender lentamente a visão de totalidade de Laozi.  

 

毕竟,最难的是领悟这形而上的道。为什么我这样说呢? 由于这种超越的层面,许多的误解会出现。这『形而上学』绝对不能离开我们的真实生活过程,它不是居于特别高的地位。也就是说,老子所讲的『道』、『无』、等等。。。宇宙的现象不是于我们的人生都完全隔绝。『形而上学』这种词语好像蕴涵某些的神秘意思,或者某些的空想理念以及涉及迷糊的概念。实际上、虽然它叫『形而上学』,仍然不是属于一般的『唯心主义』。最主要的原因是唯心主义它否定物质的存在,而且把心灵当成思想观念的根本原因。

 

Afinal, o mais difícil é compreender o Dao metafísico. Por que estou falando dessa maneira? Devido à esse sentido de transcendência, muitos equívocos poderão surgir. Essa Metafísica não se separa absolutamente do processo verdadeiro de nossa vida, ela não se situa num lugar elevado. Ou seja, o Dao, o Vazio e tudo aquilo que Laozi fala...os fenômenos do universo não se separam totalmente da existência humana. Metafísica, esse termo parece implicar num sentido místico, ou mesmo num aspecto idealista e oco assim como numa certa concepção confusa. No fundo, embora seja chamada de Metafísica, ainda não se trata de uma doutrina idealista. A principal razão é que a doutrina idealista nega a existência da matéria, e além disso, considera o espírito como causa fundamental do pensamento.

 

柏拉图就是一个例子。他建立这种观念,特别在西方传统中的哲学构成的理念。他构想『理念世界』,亦即一个很真实的世界,不跟我们活的世界一样,并且还超越任何的形状与限度。所以,柏拉图也是一个很伟大的哲学家,组成了很优势的思想。但是,柏拉图和老子的思想有不同之处,并显示出许多的差异。要是分析它们基本的差异,个人可以分辨出对于它们所建立的概念。最主要的症结在于老子强调我与宇宙能合为而一: 这是『天人合一』的思维。它能包含很多不同的现象、物质、不同的事物。现在每个人懂为什么这形而上的道所证明整体观念。因为它能使周围任何事件,包括污垢的现象和物质,不区分美丑、善恶、高下、等等。基本上,由于这整体观不分别好坏、大小以及不隔离个体的特色,而且还综合在巨大的层面,没有分级的概念以及宽广地延伸到任何动物、植物、矿物、地方、局势,还包含无数的生命与其存在。那么,原因是在那里呢? 因为这整体观不否定任何东西,反而落实在各各现象与赋予物质表现。纵然你尚未发现到它的现象,也没看到它的形状,其实『道』是不断地在养育整个宇宙以及含括每种物质,还时时刻刻影响我们的具体世界。陈鼓应教授说明:

 

【。 。 。道不僅創生萬物就完事了,它還要內附於萬物,以蓄養它們,培育它們。老子認為『道』在品位上、在時序上都先於任何東西,它不受時間和空間的限度,不會因他物的生滅變化而有影響,從這些角度來看,『道』是具有超越性的。從它的生長、覆育、蓄養萬物來看,『道』又是內在於萬物。】[i]

Platão é justamente um exemplo. Ele construiu especialmente sua concepção de idealismo especialmente na tradição da filosofia ocidental. Ele concebeu o Mundo do Idealismo, isto é, um mundo verdadeiro que não é idêntico ao nosso mundo e ultrapassa ainda quaisquer limitações e formas. Por isso, Platão também é um grande filósofo e compôs um pensamento bem sólido. Porém, as concepções de Platão e Laozi possuem aspectos distintos e ainda apresentam muitas diferenças. Se alguém quiser analisar suas diferenças fundamentais, poderá diferenciar as noções que eles construíram. O ponto crucial consiste em que Laozi sublinha que eu e o universo podemos nos integrar: esse é o pensamento da união entre o homem e o Céu. Ele pode abarcar diversos fenômenos, matérias e realidades. Agora cada indivíduo poderá entender por que o Dao metafísico evidencia a visão da totalidade. É porque ele pode englobar quaisquer eventos, incluindo as matérias e os fenômenos mais impuros, sem distinguir o belo/feio, o bom/mau, o alto/baixo, etc....Fundamentalmente, em virtude do fato de que essa visão da totalidade não distingue o bom/mau, o grande/pequeno, tanto como não separa cada aspecto particular, mas ainda engloba tudo numa dimensão de extrema amplitude, sem possuir a noção de classificação assim como se estende de modo amplo à quaisquer animais, vegetais, minerais, lugares, situações, abarcando ainda as incontáveis vidas e existências. Então, onde reside a causa? É que a visão da totalidade não nega as coisas, mas, ao contrário, manifesta-se em cada fenômeno e fornece-lhe a aparência material. Embora você não tenha percebido o seu fenômeno e também não tenha visto a sua forma material, na verdade, o Dao está incessantemente nutrindo o universo inteiro e assim também engloba cada matéria, sendo que ainda a todo momento influencia nosso mundo concreto. O professor Chen Gu Ying explica:

 

“...Dao não somente cria e gera todos os seres, e então está tudo terminado; ele ainda deve estar imanente a todos os seres no sentido de nutri-los e cultivá-los. Laozi reconhece que o Dao está num grau elevado, na ordem temporal ele antecede as coisas, não sofre as limitações do tempo e do espaço, não sofre as influências da destruição e da mudança causadas pelos outros seres. A partir dessa perspectiva, o Dao possui caráter de transcendência. Mas, vendo o fato de ele fazer crescer e amadurecer, conceder proteção e nutrição a todos os seres, o Dao é imanente a todos os seres.”

 

问题是你只使用感官来接触世上、众生,或是只利用很普通的计算思维,所以无法感觉到这个终极、辉煌与超越的真相。因此,你越使用这种逻辑思维,以及你所感觉的形状来理解『道』的存在,越不能明白『道』的真正的实体。我用我自己的经验跟各位分享一下。我希望将来大家可以体验以自己的生活过程。我想强调的是,虽然道的精髓超越任何的限度,但是它绝对不能隔绝于生命的实体。我念道德经的时侯,我不是在用世俗的方式来『观』道。既然我知道我是有限度的看法,我会摒弃我所造成的见解,突破一切普通人所说于老子的思想。从前,我也突破一些很复杂的成见及其离开多种的误解对于亚里斯多德的道德观。非常严重就是听到人们的误解,接受他们的错误,不精进地研究与了解老子的哲学。要是你仔细地分析,你就会深深了悟到老子智慧的精深,而且逐渐避免各样的妄为,不但能脱离一切生活的困扰,还可以增加超脱的智慧。如果你可以这样作,必能坚强地往上提升,那么你可以慢慢往前迈进。我用很简单的比喻,你就是像一片镜子,假如有太多灰尘在镜子的表面,当然你就不能反映很美丽与精彩的光。也就是说,太复杂的干扰、成见、误解都会阻止你的潜力性,甚至遮盖眼前的启示性。从另外个角度来说,假如镜子不清洁,光太强,就不能透彻反映到任何地方。

O problema consiste em que você utiliza somente os sentidos físicos para entrar em contato com o mundo e os seres, ou então apenas utiliza o modo de pensar calculativo e ordinário, e por isso, é incapaz de sentir essa verdade elevada, esplêndida e transcendente. Por conseguinte, quanto mais você utiliza esse pensamento lógico, e assim como toda forma material que sente para compreender a existência do Dao, cada vez mais será incapaz de compreender a existência verdadeira do Dao. Utilizo minha própria experiência para compartilhar um pouco com vocês. Espero que no futuro todos possam experienciar através do seu próprio processo de vida. O que quero enfatizar é que a essência do Dao transcende quaisquer limitações, porém, ela jamais se separa da realidade da vida. Quando leio Dao De Jing, não estou utilizando um modo ordinário para contemplar o Dao. Embora saiba que tenho um modo de ver que é limitante, posso abandonar a compreensão que eu mesmo criei, romper com aquilo que o homem ordinário diz em relação ao pensamento de Laozi.

 

从另外个角度来说,假如镜子不清洁,光太强,就不能透彻反映到任何地方。接着,我也承认我需要谨慎得透过教授的评论与解读,将会使我对道德经学习更能提升使我的学识领域更宽广。但是,有一个很需要理解的是老子说这种智慧是可以表现出来的,可以显现在个人的生命。在研究老子的过程当中,我是慢慢体验到这么精深的智慧,且领悟它的整个要点和纲领。他的思想始终会被我所感受。读道德经不是只学习一般的知识,也不是吸收一种技术或者学派。实际上,这『形而上学』不太侧重道德理论。老子不但不侧重德育,而且还批判孔子的价值观,谴责他所著重的善恶与所区分的概念。

 

A partir de uma outra perspectiva, se um espelho não fica límpido e a luz se intensifica, então a luz não poderá ser refletida para outros lugares. Logo, reconheço também que preciso percorrer com atenção os comentários e interpretações dos professores para que possa expandir e elevar o domínio do meu conhecimento em relação ao Dao De Jing. Entretanto, é preciso compreender que, para Laozi, essa sabedoria pode se manifestar e se revelar na vida individual. No processo de pesquisa de Laozi, fui experienciando lentamente essa sabedoria tão profunda e compreendendo todos seus princípios e pontos essenciais. Pude sentir todo seu pensamento. Estudar Dao De Jing não é aprender qualquer tipo de conhecimento e também não é assimilar uma técnica ou escola de pensamento. Na realidade, essa Metafísica não enfatiza tanto a teoria ética. Laozi não somente não enfatiza a educação moral, como ainda critica a visão de valores de Confúcio, censurando tudo aquilo que se refere à concepção de diferenciação entre o bem e o mal.

 

由于许多人疏忽这个差异,且被这严重的误解所迷惑,当时他们只会臆测而招致无穷的错觉。理由是老子所说的『道』不必透过世俗观念,而超过道德系统于善与恶的分离。这是老子哲学的独特性。他不重视心知执着的美善之道及其价值的涵义。所以,他不会提倡人生追求善行。假如你把美善标准定下来,你就招惹偏见与执着了。其实,各人有偏见就是因为他设定一个价值观,定义什么是『善』、什么是『恶』。然而,这只是一个主观的定义,是人们造成的,透过『人为的造作』以便判断他人。以价值观判断,你只是被社会,世俗与常规所限制。所以,若你能越来越了解老子的看法,你会阻碍某些的判定,进入道的境界。至于区分的习惯,总是从人为的造作产生的。此『人为的造作』,即 『可道』的意思。换句话说,『可道』当『解说』、『表述』的意思。因为一个东西透过人类的认知,当时变成一种『人为的现象』,也就不行当作『自然的现象』。在我的想法,这种特色是非常相关尼采特别批判西方形而上学。对于善与恶的区分,尼采认为这只是一种常规的,人生和语言建立的东西。是『相对』的, 不是『绝对』的。意思就是我们无法肯定的。

 

Visto que muitas pessoas ignoram essa diferença e ainda são iludidas por esse grande equívoco, elas apenas sabem especular e provocar inúmeras incompreensões. A razão é que o Dao de que fala Laozi não somente não passa necessariamente pela concepção ordinária, como ainda transcende o sistema ético no que diz respeito à distinção do bem/mal. Ele não valoriza o caminho de apego à excelência moral, tanto como as implicações de certos valores. Por isso, ele não vai defender que a existência humana deva perseguir as boas ações. Se você estabelecer os critérios de bem/belo, você criará ideias preconcebidas e apego. Com efeito, cada indivíduo possui as suas preconcepções uma vez que estabelece uma visão valorativa, definindo o que é bom e o que é mau. No entanto, isso é apenas uma definição subjetiva, uma criação dos seres humanos, algo que passa pela criação artificial humana no sentido de julgar as outras pessoas. Julgando com sua visão valorativa, você só será limitado pela sociedade, costumes e convenções. Por isso, quanto mais compreender o modo de ver de Laozi, você evitará certos juízos e penetrará no mundo do Dao. Quanto ao hábito de diferenciação, isso é produto da artificialidade humana. Essa artificialidade humana não é senão o significado do dizível/daquilo que pode ser dito. Noutras palavras, o que pode ser dito é o sentido do que é explicável e enunciável. É que uma coisa que passa pelo conhecimento humano acaba se transformando no fenômeno humano e não poderá ser considerado um fenômeno natural. No meu modo de pensar, esse aspecto se relaciona com a crítica de Nietzsche à metafísica ocidental. Quanto à distinção do bem/mal, Nietzsche admite que isso é uma espécie de convenção, uma coisa construída pela linguagem e pela existência humana. É relativa e não absoluta. O sentido disso é que se trata de algo que não podemos determinar com absoluta certeza.

 

假设你使用语言来表达你所想而感受的,那个现象就失掉它的自然性,同时也离开自然的境界,则变成文化产品。为什么呢? 那是因为人的『欲』只能 『观』到 边际、轨迹的现象(即『徼』的意思)。可是,倘若你以『无』的心态来观察世界、宇宙、万物,即是可以见到整个宇宙的『妙』了。每次我读『故常无欲以观其妙』,直接会深深体验『道』的独特性,亦即是它的细微奥妙。每个人经常可以使用『常道』的广度来觉醒自己。所以,如果你限制你的眼光,你只局限在你所欲望的现象,就没办法深入到『玄门』的道。由此,我们可以了解『道体』本身是『无』与『有』的连接性,即『超越的本源』与『具体的现象』。这个连接显明实在就是『道』从『无见其形』的层次落实到全部的万物,陪养与生长宇宙的存在,供养各种各样的物质。假定没有『无』的原则,宇宙就不能保持它的『有』、它的存在。既然『无』与『有』拥有不同的『名』,它们截然是『同样』的,它们始终是从一样的真理来的。实质上,这个真理是非常幽深的!总之,各色各样的物质、生命、存在与现象都是被『道』包含的,都是从『道』的『玄门』出来的。因为道就是整个宇宙的本体,又是内在于万物的,它不存在其他的地方也不是人们一般所设想的一种至高无上的神。道的本质随时随地就彻底落实到我们所观察及所体验于生活过程当中。

 

Se você utilizar a linguagem para expressar o que pensa e sente, então aquele fenômeno já perde sua naturalidade, e ao mesmo tempo, afasta-se da dimensão da naturalidade, tornando-se assim um produto cultural. Qual a razão disso? É que o desejo somente pode contemplar o fenômeno dos limites e dos vestígios (ou seja, esse é o significado da palavra chinesa jiao). Porém, se através do estado do Vazio, você observa o mundo, o universo, as miríades de coisas, então você poderá ver o mistério de todo universo. Sempre quando leio a frase Portanto, no Constante Vazio sem desejo se contempla o mistério, experiencio direta e profundamente a singularidade do Dao, a saber, o seu mistério sutil. Cada pessoa poderá sempre utilizar a amplitude do Dao Constante para despertar a si mesmo. Por isso, se você restringir sua visão, será limitado pelo fenômeno de seus próprios desejos, sendo incapaz de aprofundar no portal de todos os prodígios. Assim, podemos compreender que o próprio Corpo do Dao é a relação entre o Vazio e a Existência, a saber, a relação entre a origem transcendente e o fenômeno concreto. Essa relação, no fundo, revela o fato de que o Dao em sua dimensão informe e invisível se manifesta em todos os seres, nutrindo e concedendo crescimento à existência de todos os seres, sustentando cada realidade material. Caso não houvesse o princípio do Vazio, o universo não poderia conservar sua Existência. Embora o Vazio e a Existência tenham nomes distintos, no fundo, eles são iguais e se originam de uma mesma verdade. Essencialmente, essa verdade é bem profunda! Em suma, cada matéria, vida, existência e fenômeno é englobado pelo Dao, sendo que todos saíram da porta misteriosa do Dao. Como o Dao é a essência de todo universo, e ainda é imanente a todos seres, ele não existe em outro lugar e também não é a divindade suprema que algumas pessoas concebem. A natureza do Dao a todo instante se manifesta profundamente naquilo que observamos/contemplamos e naquilo que experienciamos em nosso processo de vida.

 

既然如此,老子的思维是很实际的,关于人生基本的问题,包括社会的问题。他的思想有助于实现生命的智慧。他在两千四百多年前,面对春秋时代的混乱与危机。当时人类轰轰烈烈地攀比,勾心斗角和较量,实是在贬低人生的精髓与价值。为了争夺权力、财富、功名,而引起社会的一种不安的环境,并引起了极其残酷的暴力与互相戕害。这类境遇难免不得不暴露,实不胜枚举。在这方面,见到某种的忧心与不和睦的事,老子越来越用刻意的沉思,批评一切对于生命的价值妄为的行为。虽然现代的社会跟古代不一样,但是基本上有些的生态、思想、行为依然是同样的。因为人类对于生命的本体还没完完全全理解,于是许多弊端与武断的行事还会被造成的。这是普遍的情形。即使生命的价值不是容易衡量,这是个人可以激励自己的沉思,使用稍稍的精力来抖落其折磨、犹豫和纠葛的状态。毕竟,你越来了解『道法自然』的原则,越可能会摆脱一切苦恼的妄念,也能把心中的忧虑放下,而使内心的困扰消失。当你领悟道的『法』,即是你将破除一切的一切的磨难。

 

Sendo assim, o pensamento de Laozi é bem prático no que se refere à questão básica da existência humana, incluindo a questão social. O seu pensamento nos ajuda a realizar a sabedoria de vida. Há mais de 2400 anos atrás ele se deparou com a crise e a desordem do Período das Primaveras e Outonos. Os homens daquela época disputavam entre si vigorosamente, provocando intrigas e se rivalizando, e no fundo, depreciavam a essência e o valor da existência. Devido à disputa pelo poder, riqueza e reputação, criavam um ambiente social instável e provocavam as atrocidades e prejuízos mútuos. Dificilmente, esse tipo de situação deixará de ocorrer, e até mesmo, é bem frequente. Nesse sentido, observando certos corações aflitos e situações desarmoniosas, Laozi cada vez mais se utiliza da meditação consciente, criticando aqueles que são imprudentes na conduta no que diz respeito ao valor da vida. Embora a sociedade atual seja diferente da sociedade antiga, entretanto, certos modos de viver, pensamentos e condutas continuam idênticos. A razão é que a humanidade ainda não compreendeu totalmente a essência da vida, e por isso, várias ocorrências de abusos e artbitrariedades são produzidas. Isso é uma situação universal. Mesmo que o valor da vida não seja fácil de ser avaliado, cada indivíduo poderá encorajar-se a si mesmo em sua própria meditação, empregando um pouco de força para livrar-se desses estados de tormento, hesitação e confusão. Em última análise, quanto mais você compreende o princípio de que o Dao segue a sua própria natureza, cada vez mais poderá libertar-se de todas preocupações imprudentes, de modo que poderá abandonar as aflições do coração e dissolver as perturbações do interior do coração. Quando você compreende a Lei do Dao, então elimina todas as atribulações.

 

无可否认,你坚毅地会消除你所造成的困难,也能淋漓尽致地突破支离破碎的行事,都把那些虚伪的表现消除。终于,当每次你碰到不顺的境遇如你自己的妄为,你当时会避免,不跟这些虚假同谋。其实,你也不会循规蹈矩,变成很执着的个性而离开道的自然性。你原来就是恰如清洁的河水,自然显明的体现。既然你是被社会与世间所污染,但你的内心实在还是很纯净的,因为道与你是属于同样的本质。譬如,你与水从来没有区分。它的性质与你是一样的精髓。至于你们一举一动所展现的,你们都是属于自然循环的一份子。这样,『妄为』意味着『虚伪』,亦即违背自然的定侓。因此,各位绝对要理解老子为什么在突破一切不自然的事。姑且,我们需要知道『道法自然』的涵义,并且需要修行老子所提议的。我想劝告你们不能用浮浅的知识来观察自然性。

 

Sem dúvida, você removerá com firmeza as dificuldades que produziu e romperá de maneira enérgica com as ações fragmentadas, dissolvendo todas aquelas falsas manifestações. Afinal, quando você se deparar com as situações desfavoráveis como aquelas suas ações imprudentes, naquele momento você evitará de perseguir essas falsidades. Na verdade, você também nem se conformará com as convenções, tornando-se uma personalidade cheia de apegos e se afastando da naturalidade do Dao. Originalmente você era como a água pura do rio, a expressão da naturalidade. Embora você tenha se contaminado com o mundo e a sociedade, seu coração interior ainda continua puro, já que o Dao e você pertencem à mesma natureza. Por exemplo, jamais você e a água se diferenciaram. A natureza dela e a sua são de mesma essência. Em cada ação que manifestam, vocês são membros pertencentes ao mesmo ambiente natural. Assim, a ação imprudente implica na falsidade, ou seja, contraria a lei da naturalidade. Por isso, cada um de vocês deve compreender por que Laozi está rompendo com aquelas coisas que não são naturais. Por ora, precisamos saber a implicação do fato de que o Dao segue a sua própria natureza, e sobretudo, precisamos praticar aquilo que Laozi propõe. Gostaria de advertir vocês para que não utilizem um modo superficial de conhecimento a fim de observar/contemplar a naturalidade.

 

由此可见,你不可用狭窄的方式来剖析老子所体验的。需要的是从宽广的角度来观察『道』的全貌。我本身就积极不懈地了解『道』的精髓。因此,既然在十四章他讲道是无形、无声、无体的、无可称谓的,甚至是『无物』,但它是非常显明的。为什么呢? 因为老子说:『是谓无状之状,无物之象』。听到这句话,大约人们会觉得有一点神秘,但是我想揭示的就是老子的智慧是广博的。所以,我们不能随便猜测,以为他所表达的是理想的思维或是抽象的。纵然他阐述各种各样的物质绝对会归于『无物』的性质,正指出万物的本始,但这种概念不属于一切『虚无主义』的概念。这是因为『无』的性质是一种『潜藏力』,并不是有具体的现象。虽然它没有『现实性』,这事实不牵涉它不存在。实际上,假如你误解这『不见其形的道』,即是『无』的性质,你就无法了解『道』的全貌。

 

Isso mostra que você não pode utilizar um modo limitado para analisar aquilo que Laozi experiencia. É necessário que, através de uma visão ampliada, seja possível observar/contemplar a totalidade do Dao. Eu mesmo incansavel e vigorosamente busco compreender a essência do Dao. Consequentemente, mesmo que no capítulo 14 ele fale que o Dao seja sem-forma, sem-som, sem-corpo, impossível de ser nomeado, e sobretudo, seja um não-existente, porém ele é bem manifesto. Por quê? Porque Laozi diz: é a forma da não-forma, a imagem do não existente. Ouvindo isso, geralmente as pessoas acham que é um pouco místico, mas gostaria de esclarecer que a sabedoria de Laozi é ampla. Por isso, não podemos especular de maneira casual, considerando que o seu pensamento é idealista ou abstrato. Mesmo que exponha a ideia de que certamente cada ser retorne à natureza do não-existente, justamente apontando a origem de todos os seres, contudo, essa ideia não pertence àquelas ideias contidas na doutrina niilista. Isso é porque a natureza do Vazio é uma espécie de potência, e não um fenômeno concreto. Embora não tenha a qualidade de real, isso não implica que ele não exista realmente. Na verdade, se você se equivocar na compreensão do Dao informe e invisível, a saber, a natureza do Vazio, então será incapaz de compreender a totalidade do Dao.

 

这幽深幽隐的道就是『无』,它蕴涵有超越力,形容『道』的超越性。而且,它特别可以跟实际的世界有密切地联系,使得『形而上的道』绝对不是一种虚无主义的概念。在这方面,需要的是弥补一些对于这个形而上的道的错觉。在老子的思想,『无』与『有』的关系是很重要。有时候人们会误解。若我们能细心地分析这个问题,懂了这个含义,就不会迷茫。从它的含义来探索,我们就渐渐地会体验以及深入道的思想。我希望各种各样的人可以挑战自己的学问,把各位所想的表达出来以便能体悟到自己的生命。也就是说,以你自己的观察与沈思来慢慢地延伸朝最清楚的思维迈进。

 

Esse Dao tão profundo e secreto é o Vazio cujo sentido implícito é a força e a qualidade da transcendência. Além disso, ele especialmente possui uma relação íntima com o mundo prático, fazendo com que o Dao metafísico jamais seja visto como um conceito de doutrina niilista. Nesse aspecto, é necessário retificar alguns equívocos em relação ao Dao metafísico. No pensamento de Laozi, a relação entre o Vazio e a Existência é muito importante. Às vezes, as pessoas se equivocam. Se analisarmos cuidadosamente essa questão, compreendendo a sua implicação, então não seremos confundidos. Investigando por meio de seu sentido implícito, podemos gradualmente experienciar assim como aprofundar a concepção do Dao. Espero que cada pessoa possa desafiar seu próprio conhecimento, fazendo com que seu pensamento possa se exprimir de modo a experienciar a sua própria vida, ou seja, que através de sua própria observação e meditação, você possa pouco a pouco expandir-se até o pensamento mais lúcido.   

 

由此,这沉思就是一种修身,协调『无』与『有』的联系,也能逐渐地明白『肉体』与『灵魂』的结合。有些人都是零零星星地念『道德经』,说已经念过好多次,大部分都理解了。其实,他们以为这本书是容易理解的,也不需要分析、讨论、观察与体验。一些人说是不需要详细地研究,最主要只是能应用在日常生活的实践方面就行了,不必用评论来解读或做为参考。这就是妨碍『问知』的进程,而且也把那些最重要的特点放在一边。再严重地是他们不愿意勤奋深入及沉思到老子的哲学。假定我们想了解尼采、柏拉图或是孔子的哲学,我们还必须深入地研究,念原本,念一些教授的评论,或是接受老师的课程。这样,你才能得到好处,同时能清清楚楚感受与进入到那位哲学家思想的领域,甚至浓缩其所体察的,综合所探索的,归纳成一种很实用的学问。最后,我们还必须总结它的重点,归纳成一些很重要的特性,尤其陆续地吸收与领略精炼的思维及透过反思的方法,才可唤醒各种的哲学思想,也可深深地扩展自己的思维。

 

Por causa disso, essa meditação é uma espécie de cultivo de si, uma harmonização da relação entre Vazio e Existência que poderá gradualmente compreender a relação entre corpo e espírito. Algumas pessoas leem o Dao De Jing de maneira fragmentada, falam que já leram várias vezes e já entenderam tudo. Com efeito, eles pensam que esse é livro é fácil de entender e nem precisa ser analisado, discutido, investigado e experienciado. Alguns dizem que nem há necessidade de pesquisa detalhada e o principal é somente utilizá-lo na praticidade da vida diária, sem utilizar os comentários para interpretar e muito menos tomá-los como referência. Isso é impedir o processo de conhecimento e, além disso, deixar de lado a sua peculiaridade essencial. O mais grave é que eles não desejam aprofundar com empenho na filosofia de Laozi. Se quisermos compreender a filosofia de Nietzsche, Platão ou Confúcio, precisamos ainda pesquisar profundamente, ler o texto original, ler os comentários dos professores ou aceitar as aulas deles. Assim, você adquirirá benefícios enquanto penetrará claramente no domínio do pensamento daqueles filósofos, e inclusive, condensará aquilo que observou, sintetizará aquilo que explorou,  extraindo daí uma espécie de conhecimento prático. Por fim, deveríamos ainda sintetizar seus pontos cruciais, resumir as características importantes, e sobretudo, gradativamente assimilar e apreciar a essência refinada desse pensamento através da forma de autorreflexão, despertando para cada visão filosófica e expandindo de maneira profunda o próprio pensar.

 

每个人需要稍稍地渐进沉思。我用一个比喻。老子的哲学类似一个医生,因为它能排除一切最苦恼病痛的折磨,使得你能解除一切弊病。我期盼各位可以思考一下。倘若你沉思静坐,透过平静的心态,摒弃某些的骚扰,你冉冉地会体验万籁俱寂以及不会被任何忧心干扰而成倦怠。平常我们在生命之间就产生许多困难,使内心平衡与思考能力渐渐地衰弱而无法升华,像似失去生命的动力。这样,人生就没有活力的精神。除了忧心与烦恼问题之外,各位还可以透过道的精神来评估自己的生命价值,用这种广阔的视野来处理不同的情况。这种内心宽广的视野就是虚空的心态、『无』的平静状态。它是内在而超越的心态。

 

Cada pessoa precisa progredir na sua meditação. Utilizo uma metáfora. A filosofia de Laozi é como um médico, visto que pode remover certos tormentos de preocupações e dores, fazendo com que você possa dissipar certas doenças. Espero que cada um reflita um pouco. Se você é capaz de meditar sentado num estado de silêncio e abandonar certos transtornos, experienciará gradativamente um supremo silêncio assim como não sofrerá interferência de aflições e a sensação de esgotamento. Frequentemente, criamos na nossa vida inúmeras dificuldades, sendo que o equilíbrio do coração interior e a força da reflexão decaem progressivamente sem poderem se elevar, como se perdessem a força motivadora da vida. Assim, a existência humana já não possui espírito de vitalidade. Além da questão da aflição e da preocupação, através do espírito do Dao, cada um poderá avaliar o valor de sua própria vida, utilizando essa visão tão vasta para lidar com as diversas situações. Essa visão da vastidão do coração interior é o estado do Vazio, o estado silencioso do Vazio. É um estado transcendente e imanente.

 

在这方面,各位就慢慢懂『无』与『有』的关系,甚至鲜明地了解如何『无』的 『潜藏力』能落实到每种的存在、状态与现象。它是有『超越性』,不过也是有『内在性』,所以我们不能忽略这个特点。即使『无』与『有』有不同的特征,但是实实在在都是属于『道』的精髓。老子说: 『此两者,同出而异名,同谓之玄。玄之又玄,众妙之门』。意思就是它们有不同的名字来展现,但还是从一样的本体出现的、同样的根源来的。那么,如果我们能体验这种奥妙的道理,了解如何超越狭窄的偏见,突破一切限制性的妄念,于是我们就能深深地进入到平静的虚空。并且,从一种超越的心态,将不被任何忧虑所克服,我们就可以和谐肉体与灵魂的结合。因为主要的是各位能沉思『无』的层次以及感觉宁静的心态。显然,我不是想你一定要接受这种观念以迷信的方式而逻辑的思考。基本上,在道的思想这种超越心态也是一种内在的磨练,使得改变及铸造整个生活过程,让我们不怕任何的患难,甚至使用沉思的方法来消除不平衡的心态。根据我们所观察的,希望各位能承担自己选的生活方式,亦即确实地了解自己所选择的关于生命的价值。很明显的是任何人生会以不同的方法来评估自己的修行。对物对人以其对于许多的境遇,个人有不同的观念。终究,你有没有体验到人生的终极目的,这还是各位必须时时刻刻要深思的。

 

Nesse aspecto, cada um pouco a pouco entenderá a relação entre o Vazio e a Existência, e inclusive compreenderá com minúcia como a potência do Vazio pode manifestar-se em cada existência, estado e fenômeno. Ela possui qualidade de transcendência, mas também possui qualidade de imanência, e por isso, não podemos menosprezar essa peculiaridade. Mesmo que o Vazio e a Existência apresente características distintas, no entanto, eles pertencem verdadeiramente à essência do Dao. Laozi diz: Embora com nomes distintos, ambos se originam do mesmo princípio: mistério pleno de mistérios, portal de todos os prodígios. O sentido é que eles possuem nomes diferentes para se manifestarem, mas se originam de uma mesma essência, de uma mesma raiz. Assim, se pudermos experienciar a verdade desse mistério, compreendendo como transcender as estreitas preconcepções, rompendo com os pensamentos imprudentes de características limitantes, então poderemos harmonizar a relação entre corpo e espírito. Porque o principal é que cada um possa meditar na dimensão do Vazio tanto como sentir o estado do silêncio. Evidentemente que eu não penso que você deva certamente aceitar essa concepção por meio de um forma de crença ou por meio de uma reflexão lógica. Fundamentalmente, na concepção do Dao, esse estado de transcendência é uma espécie de cultivo interno que permite mudar e moldar todo processo de nossa vida sem que fiquemos com medo de certas adversidades, e sobretudo, permite que possamos utilizar a forma da meditação no sentido de dissipar os estados de desequilíbrio. De acordo com o que observamos, espero que cada um possa assumir a forma de vida que escolheu, isto é, compreender de modo autêntico aquilo que se escolheu em relação ao valor da vida. É claro que cada existência irá avaliar seu caminho de maneira diferente. Em relação aos seres vivos, aos seres humanos e às diversas circunstâncias, cada um possui concepções distintas. Em última análise, se você experienciou ou não a finalidade última, isso é algo que cada um ainda precisa a todo momento aprofundar e meditar.

 

 

Leiam meu próprio texto originalmente escrito em chinês: "Reflexão sobre a existência". Traduzi para o português em função de uma das aulas ministradas em meu curso. Abaixo seguem-se as duas versões em português e chinês. 

 

A existência humana é extremamente curta. Se, nesse breve período, o homem não realizar plenamente o valor da existência, então qual será o sentido de viver? É evidente que o ser humano vive no mundo não com a finalidade de acumular riquezas, mas para valorizar o que há de mais elevado e interior na vida. O ser humano possui duas partes principais: uma é o corpo e a outra é o espírito. Estas duas funções principais podem ser unificadas. Nesse aspecto, os filósofos da escola taoísta (Laozi, Zhuangzi e Liezi) enfatizam que as necessidades e os desejos da própria vida são coisas distintas. Temos as necessidades básicas como dormir, beber e comer, mas é evidente que possuímos também inúmeros outros desejos. Se eu valorizo demais a concepção do “Eu” (我相 – wǒxiàng) e, inclusive, persigo a aparência fenomênica dos desejos no intuito de ansiar e buscar o próprio autobenefício, apenas valorizando o que está diante dos olhos, desprezando o verdadeiro valor da vida, então isso produzirá muitas ilusões. A partir dessa perspectiva de observação, Laozi no "Dao De Jing" afirma:

 

Desejar conquistar o mundo e nele intervir:

vejo que isso não se deve fazer.

 

O mundo é um vaso sagrado

e não deve ser manejado.

 

Quem nele intervém, fracassa.

Quem o retém, perde-o.

 

Portanto, as coisas ora conduzem, ora acompanham.

Ora se encrespam, ora se suavizam.

Ora se fortalecem, ora se enfraquecem.

Ora florescem, ora desfalecem.

 

Por isso, o Sábio evita desmedida,

extravagância e arrogância.

 

(minha tradução do capítulo 29)

 

Cito a tradução chinesa de Zhao Ping:

 

“Se a pessoa deseja conquistar o mundo e governá-lo, presumo que não conseguirá realizá-lo. O mundo é um instrumento sagrado e não pode ser governado pela força. Quem através da força governa o mundo, irá destruí-lo. Quem dominá-lo, logo o perderá. Todos seres (sobretudo, referindo-se ao ser humano), ora caminham na frente, ora acompanham por detrás, ora são lentos, ora são rápidos, ora são fortes, ora são fracos, ora são tranquilos, ora são inseguros. Portanto, o Sábio evita a busca excessiva, a extravagância e a arrogância.”

 

Por que motivo Laozi diz que o Sábio, estando diante dos fenômenos do universo, é capaz de considerá-los como “um instrumento divino”? Ouvindo essas palavras, as pessoas podem imaginar que isso parece ser uma fuga da realidade. Geralmente acham que é especialmente oculto e difícil de ser compreendido. Ou seja, o pensamento de Laozi parece completamente abstrato e não ser suscetível de imergir na nossa vida moderna. De fato, penso que Laozi não está realmente encorajando uma vida não-prática, ou então uma espécie de concepção “subjetivista”. Tudo o que ele observa em relação às condições, ao ambiente, à conduta, à vida, às sensações, ao pensamento, podem influenciar nosso processo de vida.

           

Em outras palavras, se não sou capaz de remover minhas próprias limitações e alargar minhas próprias ideias, é evidente que não poderei compreender a dimensão ideal e elevada de sua visão. Por isso, nessa situação, muitas dúvidas e dificuldades impedirão o desenvolvimento de qualquer concepção. Assim, embora não sejam poucas as dúvidas, cada indivíduo pode se esforçar para mudar seus prejulgamentos e convicções inflexíveis. Caso contrário, quaisquer ideias e sentimentos novos não poderão ser aceitos. Mesmo que se depare com situações perturbadoras, cada um pode gradualmente se livrar de todo tipo de sofrimento.

           

A questão consiste na maneira com que se pode erradicar as dificuldades. Cada pessoa poderá se concentrar na questão de suas próprias convicções e prejulgamentos. O pensamento de Laozi é vasto, compreensivo e totalizante. Se você acumula muitos desejos, exigências, raiva, remorsos, ambições, então é porque você está sendo controlado pelo mundo. Você se apega à concepção do “Eu”, isto é, à uma parte isolada. Se você não se apega às coisas que você realiza, por que terá de competir, disputar e ainda valorizar “a busca excessiva”? Afinal, o mundo de modo algum é como um “instrumento”, um fenômeno material ou uma espécie de coisa passível de ser manipulada. Esse é um ponto crucial. Você nunca poderá manipular essa “totalidade”. Como uma “parte” poderá controlar a “totalidade”? Embora todos possam dominar muitas coisas no mundo, no entanto, cada um sempre perceberá, após um exame cuidadoso, que jamais será capaz de dominar as circunstâncias mais complexas e instáveis. Se o indivíduo compreender que essas coisas são dificuldades externas, e que ele mesmo gradativamente pode experienciar e saber que é incapaz de lidar com cada processo utilizando-se daquela maneira “forçosa”, então poderá se livrar de modos de ação inadequados e de fenômenos irrazoáveis. Isso se chama visão totalizante. Por isso Laozi se utiliza da ação totalizante do Sábio para evidenciar sua própria proposta. O livro “Laozi” de Zhao Ping ressalta:

 

“O Sábio compreende a razão de o mundo não poder se submeter à “ação forçosa” e ao “apego”. Daí, [o Sábio] ‘evitar a desmedida, a extravagância e a arrogância’. Evitar a desmedida, é justamente abandonar o excesso da busca e dos desejos e silenciar-se através da Não Aação (清静无为 - qīngjìng wúwéi) e do Não-saber, estar em acordo com a naturalidade, não destruir a natureza simples e pura do povo. Evitar a extravagância é justamente abandonar a ostentação, não valorizar as coisas difíceis de se adquirir, não explorar o sangue do povo; evitar a arrogância é justamente não se apoderar de seu mérito, não se orgulhar, não interferir nem restringir a liberdade do povo.”(p.55)

 

Creio que se a vida não possuir essa sensibilidade pura e simples, a existência dificilmente realizará um estado de “harmonia” (和谐 – héxié). A esse respeito, Laozi em todo momento sublinha o estado de “Não Ação” (无为 – wúwéi). Através do cultivo da Não Ação, as pessoas poderão experienciar um sentimento interior e profundo e assim serão capazes de moderar os estados de agitação e de violência, no sentido de nutrir uma relação harmoniosa entre corpo eespírito, isto é, poderá alcançar a “serenidade” (平静– píngjìng). Assim, a vida alcançará um estado de tranquilidade e equilíbrio. O ponto crucial é como eu posso harmonizar meus instintos, meus sentimentos, minhas ideias, etc....em relação a todo processo da minha vida e mesmo em relação à minha concepção de valores (no sentido de uma visão totalizante), e além disso, como alcançar um equilíbrio constante?

           

Segundo meu ponto de vista, o mais importante é abandonar o excesso de “intervenção” (干扰-gānrǎo) e evitar o caminho do “apego” (执着-zhízhuó). Nesse sentido, compreendemos a razão pela qual se conserva a simplicidade da vida. Isso significa que a conservação da simplicidade da vida e da plenitude do espírito deixará a vida mais vigorosa. Nesse aspecto, o que nos proporciona um estado excelente? Mesmo se cada indivíduo tenha passado por diversos conhecimentos, se ainda não observou e experienciou verdadeiramente o sentido elevado e profundo de sua vida, é evidente que isso se constituiria como um grande prejuízo. Na realidade, todos podem expressar suas próprias experiências, desde um modo simples de pensar até as questões mais complexas, percebendo o surgimento de cada dificuldade, e se puder experienciar a sabedoria de Laozi e utilizá-la na sua própria vida, somente então será capaz de compreender/experienciar essa verdade sublime e ainda superar determinadas limitações. A sabedoria possui o caráter de transcendência, possibilitando que cada indivíduo possa superar as coisas mais complexas. Em suma, a vida certamente não é uma riqueza material, visto que ela mesma é um tesouro sagrado, e além disso, não pode ser dominada mediante a força. 

 

Por isso, nesse momento da reflexão, penso que cada pessoa pode ser capaz de moldar sua própria vida e harmonizar a relação do corpo e do espírito, tornando-se uma totalidade completa (整体系- zhěngtǐxì). Isso também é uma “arte da existência” (生命艺术 - shēngmìng yìshù). Embora não seja fácil superar as dificuldades comuns, o ser humano, vivendo nesse mundo, poderá se auto-cultivar e experienciar uma sabedora inigualável. Laozi reconhece que o mundo gera inúmeras mudanças, e sobretudo, as contingências instáveis. O processo da existência humana é como as ondas do mar que incessantemente se erguem e são afetadas pelas influências do meio externo. Esse tipo de “inconstância" é uma lei da natureza. Nossa vida é assim também. Múltiplos fenômenos a todo momento se sucedem, crescem, mudam, diminuem, declinam, desaparecem e se extinguem. O homem vive no mundo e a vida a todo momento está mudando. Devido às inúmeras mudanças das circunstâncias, cada pessoa poderá refletir e encarar corajosamente esses fenômenos tão contraditórios.

            

Laozi menciona belo/feio, bom/mal, existência/vazio, difícil/fácil, longo/curto, certas oposições mútuas, mostrando que esses fenômenos contraditórios evidenciam uma “lei universal” (普遍规则 - pǔbiàn guīzé). Em relação a esse caráter de oposição e de contradição das coisas do universo, podemos ver em todo lugar esses fenômenos. Quem poderá impedir o desenvolvimento das contradições e o movimento das oposições? Se soubermos essa verdade, todos poderão claramente aceitar com serenidade quaisquer mudanças do universo, não tendo o que se queixar e discutir, e além disso, poderá conservar uma “mente/coração constante” (平常心 - píngcháng xīn). Penso que Laozi se opõe à “artificialidade humana” (人为的造作 -rénwéi de zàozuò) em virtude de enfatizar a importância do silêncio e evitar o apego excessivo, já que o apego contraria “o princípio da naturalidade” (自然的原则 - zìrán de yuánzé). Essa verdade não é tão complexa, mas sempre acabamos ignorando.

           

Seguindo a naturalidade e meditando na totalidade do universo com a serenidade do coração, experienciando a inconstância do mundo, abandonaremos a prepotência, a saber,  “o desejo de conquistar o mundo” (欲取天下- yù qǔ tiānxià) por meio da “ação forçosa” (強行 – qiángxíng). O mundo é “sagrado” (神– shén), o eu é sagrado, o corpo e o espírito são sagrados. Jamais poderiam ser manejados por meio da arbitrariedade. Portanto, se pouco a pouco aprofundarmos no caminho da sabedoria, libertaremo-nos da busca excessiva não por uma espécie de imposição, mas por meio do auto-cultivo da harmonia. Desse modo, cada ser humano será capaz de moldar e harmonizar a relação entre o corpo e o espírito num todo unificado, pois cultivar a “harmonia da vida” (生命的和谐 - shēngmìng de héxié) é o que Laozi mais enfatiza e preconiza. Por isso, o cultivo de si mesmo e de seu próprio estado natural (incluindo o cuidado do corpo e do espírito), poderá constituir a beleza de nossa “arte da existência”.

 

对人生的反省

 

人生十分短暂,如果不在这短暂的时间充分发挥人生的价值, 那人活一辈子又有什么意义呢? 人活在世上当然不是为了聚集财富,而是为了注重有高尚内在的生活。人有两个最主要的身份,一个是肉体, 一个是灵魂。这两个主要功能都可以合而为一。在这方面,道家哲学家都强调 (老子,庄子和列子)生命本身的需要和物欲是两回事。我们有基本的需要像睡,喝与吃,但是很明显的是我们也有多种与其他的欲望。如果我非常重视我相的观念,甚至还追求物欲之相, 往往急功近利,只注重眼前的喜好,鄙视生活真正的价值,因此就会产生很多迷惑。从这个角度来观察,老子在 “道德经” 说:

『将欲取天下而为之, 吾见其不得已。天下神器, 不可为也。为者败之, 执者失之。夫物或行或随, 或歔或吹, 或强或赢, 或载或隳。是以圣人去甚, 去奢, 去泰。 』

我引用赵萍教授的翻译:

『有人将要取天下并且治理天下,我预知他是不会成功的。天下神圣的器物,是不可以加强治理的。谁强行治理天下会把它毁坏,谁把持它就会把它失掉。万物(主要指人)有的人走在前面, 有的人在后面追随。有的气急。有的强壮,有的衰弱。有的安稳,有的危殆。因此,圣人摒除过分的追求,摒除奢侈,摒除骄傲。 』(第二十九章)

为什么老子说圣人能够对与每个宇宙的现象当成像“神圣的器物”? 人们听到这些话, 会觉得有一点逃避现实。频繁感觉特别深奥,更不容易了解。也就是说,老子的思想好像截然抽象及不能融入我们现代的生活。实际上,我认为老子真不是在鼓励一种不切实际的生活,或者一种主观的观念。他所观察的条件,环境,行为,生活,感受,思考, 都能影响我们生活过程。

换句话说,假如我们无法破除自己的限度及扩大自己所想的意念,那当然我们不可能会懂他最高境界理念的观点。在这样的情况,许多很复杂的疑问和困难会阻挡任何思想的进行。所以,既然发现不少的疑惑,个人可以努力,把那些死板偏见与信念统统改变。否则任何新的感情和念头都接受不了。尽管遇到很烦恼的事情,个人可以渐渐脱离各种各样的痛苦。

问题是怎么样可以突破一切的困难。各位能注意偏见与信念的问题。老子的思想是周全,宽广与总体。倘若你积累太多欲望,要求,愤怒,遗憾,志向,那就是你被世俗所控制,你执着你的我相,亦即这个隔离的部分。因为如果你没有执着关于你所做的事情,为什么你还会在竞争,斗争,此外还重视“过分的追求”? 毕竟,世界绝对不是像工具,物质的现象,或是一个纯粹的东西,只不过可以摆布。这是一个重要关键。你绝对不能摆布这个整体。怎么一个『部分』能够摆布『整体』呢? 虽然大家可以在世上主宰很多事,不过以仔细的方式来审视,个人总是会发现自己全然不能把持非常困惑而不稳的局势。假如个人了悟这一切都是外在的困境,自己渐渐能体悟以及知道无法用强行的方式来处理任何的过程,即使可以完全摆脱不合理的表现与不适当的做法。这是整体观。因此,老子以圣人的整体做法为自己的主张佐证。赵萍在他的 “老子” 书中强调:

『圣人是由与明白天下不可为,不可执的道理,所以『去甚,去奢,去泰』。去甚,就是放弃过分的追求和欲念,清静无为,昏昧无知,顺任自然,不破坏人民的质朴单纯本性。去奢,就是弃绝奢侈,不贵难得之货,不搜刮民脂民膏; 去泰,就是不居功,不骄傲,不干涉不束缚人民的自由。』(五十五頁)

我相信如果生命没有这单纯和朴质的灵敏度,人生绝对很难实现『和谐 』的心态。为此老子每时每刻注重『无为』的状态。以 『无为』的修养,人们可以体验一种内在深邃的感情。用无为的修养,大家都能克服一切猛烈而急躁的状态,至于调和肉体与灵魂的连接,即是能达到『平静』。于此,生命才能获得很安静与平衡的心态。关键在我怎么样能调和我自己的本能、情绪、概念、等. . .对于我整个生活过程中乃至于我的价值观,对于总体的眼光,而且怎么样达到恒久的平衡。

按照我的看法,最重要的是要舍弃一切过度的干扰,拒绝『执着』的行径。 执着意味着『心知的执着』。在第二篇老子已经提到 『生而不有,为而不恃,功成而弗居,夫唯弗居,是以不去。』 目的就是想保有生命的朴质。从这个角度来探索,关于道的体验,某些智慧的特征会及时显露并反应在每个人不同的经历当中。如果每个人能真正理解『老子的哲学』,它不仅仅只是一般的知识,它是一种超脱的哲学也是一种『生命学问』,我们方能体悟老子的内心与其核心思想。如果这种生命学问能落实在我们每位的生活当中,它就会蕴涵着极其深广的意义以及必然会产生一种让人有积极与活跃的生命力。

这样,我们就了解为什么要保有『生命的朴质』?也就是说要保持生命的朴质和精神的丰富让生命比较有活力些。至于,什么东西会给我们一个好的状态? 即使各位透过了诸多不同领域的学问,倘若不能去真正观察与体验我们自身终极深义的生命,显然就会造成莫大的损失。其实,大家都可以表达自己的经历,从最简单的想法以至于最复杂的困境,各种各样的困难都可能发生,若能把『老子的智慧』体验与引用在我们自己的生命当中,就能更好地了解与体悟这种『高明的真理』,而且还能『超越』某些的限制。智慧是有超越性, 使各位能突破复杂的事物。总之,生命绝对不是像一个物质的财富,因为它本身总是属于最圣洁的瑰宝,此外它还不能被任何事物强行把持。

所以,在反思的過程中,我想各位能够塑造自己的生命,也就是能调和肉体与灵魂的连接,变成一个整体系。这也是一种『生命艺术』。人们活在这个世界,虽然不容易突破平凡的困境,不过借着自身渐渐地修养,即能体验出无上的智慧。老子承认世上造成纷繁不同的变化,尤其不稳定的变迁;人生过程更像是海的波浪,不断的在波动起伏,并不时受到外在环境的影响,这种『无常的现象』是自然的规侓。我们的生活就是这样。繁复的现象时时都在发生、兴起、转变、沉沦、堕落、消失与灭亡。人活在世界上,生命也是时刻在变化,由于这些多元的情势变化,个人需要能反思且去勇敢面对这些对立的现象。

老子举出美丑、善恶,有无,难易,长短,某些是互相对立,证明这种对立现象是它的『普遍规则』。关于宇宙事物的矛盾与对立性,我们随处可见到这些现象。谁能阻止矛盾的产生和对立的行为? 倘若我们知道这个真理, 大家就能实实在在,心安理得地接受宇宙事物的任何变化,不会有太多的争论与怨言, 并且会保持一种『平常心』。我认为老子特别反对『人为的造作』,所以他强调宁静的重要以及避免过度的执着。因为执着悖离『自然的原则』。这个道理简单也不复杂,但常常被我们忽略了。

遵循自然与沉思宇宙的整体,以平靜之心,体察天下的無常,我们会舍弃傲慢,『欲取天下』不能以『強行』之法。天下是 『神』,我是『神』,肉体与灵魂都是『神』。绝对不是随意能摆布的。因而,假如我们逐步深入智慧的道,我们将能破除过分的追求,不使用强迫,而是使用和谐的修身。由此可見,每个人生能塑造调和其肉体和灵魂连接的体系,因为培养『生命的和谐』就是老子最崇尚与强调之处。所以,修养自己的自然心态(包括观照自身的肉体和灵魂) 能构成我们完美的生命艺术

Meu livro em mandarim de Dao De Jing com comentários do filósofo neo-taoísta Wang Bi (226-249 d.C.) e do filósofo Su Zhe (1039-1112 d.C.)
REVISTA BRAZILHR (共享月刊 - gong xiang yue kan)

Revista Brazilhr (impressa) publicou na edição de agosto o segundo capítulo do livro clássico “Dao De Jing” de Laozi com versão bilíngue (mandarim-português) na minha tradução. O livro na íntegra foi publicado pela Editora Mantra e está disponível nas Livrarias Cultura, Martins Fontes e Saraiva. A Revista publica em língua chinesa diversas notícias do Brasil, do mundo, textos autorais, dentre outras coisas e circula amplamente pela comunidade chinesa em São Paulo. Essa é uma excelente oportunidade para aqueles chineses que moram aqui poderem ler também no português e apreciar sua própria filosofia milenar.

REVISTA ZÚNAI
A Revista Zunái publicou uma entrevista comigo em que falamos sobre meus trabalhos em taoísmo. Publicou também trechos de minha tradução do filósofo taoísta Zhuangzi, que junto com Laozi e Liezi representam o taoísmo clássico filosófico e meus poemas orignalmente escritos na língua chinesa (com a versão também em português). Nesse segundosemestre sairá publicada pela Editora EDIPRO (SELO MANTRA) minha tradução do livro "Dao De Jing" de Laozi (emversão bilíngue): 
 
LINK: http://zunai.com.br/post/162447582893/zun%C3%A1i-revista-de-poesia-e-debates-volume-3

Revista Zúnai é um periódico eletrônico que publica textos literários inventivos na poesia e na ficção, ensaios sobre temas culturais, traduções, entrevistas e trabalhos de fotógrafos e artistas visuais. 

 
REVISTA MUSA RARA
Revista Musa Rara publica cinco capítulos da minha tradução do "Livro do Caminho e da Virtude" (Dao De Jing) de Laozi em versão bilíngue (chinês-português) e recomenda convidando para o lançamento do livro e o próximo curso sobre taoísmo no Centro Cultural de Taipei.  
 
Confiram: http://www.musarara.com.br/classico-fundador-do-taoismo
REVISTA MUSA RARA
Revista Musa Rara publicou meu breve ensaio "Filosofia de vida em Laozi e Nietzsche" em versão bilíngue (mandarim-português) escrito originalmente em chinês e por mim mesmo traduzido. Os capítulos 2, 6, 16, 25 e 44 do clássico taoísta "Dao De Jing" foram publicados juntos com minhas traduções. Boa leitura! 
 
LINK - http://www.musarara.com.br/filosofia-de-vida-em-laozi-e-nietzsche
REVISTA BRASILEIRA DE MEDICINA CHINESA

A Revista Brasileira de Medicina Chinesa (2017) publica meu ensaio "Corpo vital em Laozi e na Metacorporeidade" (pág. 26) onde abordo a importância do cultivo do corpo no sentido da revitalização energética, a partir da leitura do Dao De Jing do sábio taoísta Laozi: http://ebramec.edu.br/revista/revista-brasileira-de-medicina-chinesa/